O senhor Rodrigo Hespanha tem toda a razão em queixar-se dos serviços públicos de saúde. É pessoa jovem, trabalhador, saudável e tem um problema de fácil diagnóstico e resolução. Não se justifica que o encaminhamento feito há mais de um ano esteja ainda pendente.Vou verificar pessoalmente os motivos de tanta demora.  Quanto às apontadas promessas de campanha não cumpridas, considero que a jornalista Daniela (Penha) apresentou de forma resumida mas fiel à verdade os esclarecimentos que fizemos a respeito da chamada clínica para jovens dependentes químicos. ( ) Com a implantação do Caps infantil álcool e drogas e da Unidade de Acolhimento Infanto Juvenil, o número de crianças e adolescentes com problemas de dependência ou de uso de substâncias psicoativas internados por força de medida judicial caiu de cerca de 12 a 15 por ano para zero nos últimos três anos. Trata-se de uma vitória maiúscula do modelo de atendimento adotado, uma vitória do respeito aos direitos e à dignidade dessas crianças e adolescentes. Mas a questão da dependência química está a exigir um amplo e franco debate, que envolva todos os setores da sociedade e da administração pública… ( )

Jornal A Cidade
Ribeirão Preto, 17/11/16
Sténio Miranda
Secretário Municipal de Saúde

Nosso comentário: concordo em tese com o secretário que, segundo se comenta, parece ser uma pessoa séria e responsável, embora sem meios para implementar uma política de saúde à altura das necessidades básicas. Pudera, com tantos roubos e corrupção generalizada em lugares administrativos que deviam ser o espelho da dignidade e da ética, fica muito difícil fazer-se seja o que for. Por isso, o mínimo que se exige, é punição exemplar para esses “fora da lei”… Assim, estamos sujeitos e dependentes de médicos responsáveis. Caso contrário, o atendimento torna-se precário, colocando em risco a vida do paciente.

Foi o que aconteceu com minha esposa que após passar mal, com dores fortíssimas no abdómen e muitos vómitos, fomos direto para a UPA na tarde do dia 04/11. Lá chegando pouco antes das 13,00 horas e saímos às 21,10 h. Quando pensávamos ter o problema de saúde resolvido, chegou em casa tremendo de febre e sem qualquer medicação. As dores continuavam, não se alimentava e, desiludidos com o atendimento de saúde, generalizado, fomos tentando a automedicação e, nada resolvido, acentuando-se as dores, o mal-estar e a fraqueza. Com esse quadro fomos de novo à UPA na quarta-feira à noite, pelas 21,30 horas, onde se encontrava uma reportagem da EPTV, aproveitando reclamar do atendimento anterior e que foi ao ar no dia seguinte. Saímos de lá pelas 01,30 h. O atendimento foi melhor, mas o estado de saúde era muito precário. A própria médica ficou muito confusa com a cor muito amarela da paciente e fez uma medicação e mandou colher os exames de sangue e urina, pedindo para marcar uma ressonância médica, que seria agendada para o dia 22, no “Santa Lídia”. Aí abrandaram as dores, mas continuava sem vontade de comer e a urina era da cor de coca-cola. No dia seguinte fomos pegar o resultado dos exames e, para nossa felicidade, fomos atendidos por um médico de feição oriental, já nosso conhecido de grande gabarito profissional. Ao ver a minha esposa com aquela cor, ficou assustado e apenas disse: “deixaram ir a senhora para casa com essa cor?”. Eu não vou permitir isso: “a senhora vai já ser internada, para descobrirmos a razão dessa cor”. E foi assim que aguardando a respectiva vaga, foi internada no HCE, na tarde de do dia 10 pp. Após a ressonância magnética que foi feita ao entrar, não conseguiram vislumbrar nada de concreto por causa da inflamação. No dia seguinte após o ultra som, também nada de concreto saiu, e, por causa do fim de semana e do feriado, foi agendada uma colângio-ressonância para o HC Campus, para o dia 16. Entretanto a medicação ora estabelecida foi de suma importância. Só após esse exame conseguiram detectar uma “pedra” no fígado obstruindo o canal e outra na vesícula, pedra essa que foi retirada no dia 18, sem necessidade de cirurgia. Só após esse procedimento começou a sentir-se melhor e alimentar-se melhor também. Perante esse quadro, teve alta ontem (20/11), com retorno para o HC Campus no próximo dia 29. Imagine-se o que poderia ter acontecido se não fossemos atendidos por esse excelente médico? Pelo atendimento anterior só iria fazer a ressonância magnética amanhã (22), quando o estado já estava em fase muito adiantada. Só quem passa pela situação de aflição e dor pode avaliar o desespero que se apodera da gente. Cheguei a pensar o pior, de uma infecção generalizada. Foi assim que se desencadeou o atendimento de uma unidade de pronto atendimento (UPA) onde nos deparamos com o pior e o melhor simultaneamente, como disse no começo, à mercê da qualificação e responsabilidade do médico que nos atende.

                Quanto ao atendimento e acompanhamento médico do HC, a minha esposa fez questão de assinalar que ficou espantada com a competência e profissionalismo médico e de enfermagem desse hospital. São dignos de uma menção honrosa. Já no sistema alimentar deixa um pouco a desejar com o tipo de alimentação, não adequado a diferentes estados de saúde. Por exemplo, ela, com problemas graves no trato biliar, darem um suco de laranja…, muita carne, etc., etc. Está mais do que na hora de se fazer uma revisão alimentar radical, sobretudo nos hospitais, onde simultaneamente se faz um tratamento médico por excelência e um precário e inadequado sistema alimentar, onde o açúcar (inimigo principal da saúde atual) deveria ser simplesmente banido, assim como o tradicional “leite e pão com manteiga”… Não faz sentido exterminar a doença e ao mesmo tempo injetar a condição de ficar doente a médio prazo. Como se sabe e faço questão de sublinhar, nós somos o resultado daquilo que comemos e bebemos. Há 40 anos que faço uma alimentação racional, natural e equilibrada e não sei o que é ser doente desde então. Imagine-se o quanto se pouparia em gastos públicos se eliminássemos cerca de 90% de doentes crónicos…

                Quanto à fala do secretário no que tange à dependência química, concordo plenamente quando diz ser necessário um “amplo debate público que envolva a sociedade e a administração”. É imperioso e imprescindível encontrar uma estratégia para atenuar e desviar essa dramática tendência social da atualidade. Então: mãos à obra!

Alberto Maçorano