As razões podem ser múltiplas. Antes de mais é necessário que entendamos o seguinte: a morte do corpo físico não destrói a nossa personalidade. Não nos tornamos anjos, não vamos para o Céu tocar harpa; e não nos tornamos demónios nem vamos para o Inferno manejar uma forquilha. O Plano Espiritual é todo um mundo que se sobrepõe ao nosso. Após o desencarne há espíritos que não apresentam condições para acederem a planos felizes, e continuam no nosso meio, “agarrados” às nossas questões terrenas. O avarento não se separa facilmente da sua fortuna. O proprietário ganancioso não se separa das suas terras. O criminoso não se separa dos seus comparsas e dos seus objetivos. O toxicodependente não se separa dos seus cigarros, álcool, heroína.

E estes são apenas alguns exemplos. Todos os espíritos marcados pela inferioridade de caráter continuam a vaguear por este nosso mundo, obstinados no que os interessa acima de tudo.

Qualquer desses espíritos ainda presos a motivações inferiores podem tornar-se “Obsessores”.

O Espírito que se mantém mentalmente ligado aos bens materiais que deixou na Terra pode constituir-se um “Obsessor” tenaz dos seus herdeiros ou de outros que venham a beneficiar da sua fortuna, por exemplo. Aquele que na Terra foi viciado, pode empurrar outros para o vício, para lhes compartilhar as sensações. E por aí fora.

Os espíritos obsessores podem ser movidos pela ganância, pela inveja, pelo desejo de prejudicar ou pela convicção de que estão a cumprir uma missão meritória.

A ignorância é o seu traço característico. O Centro Espírita não promete livrar ninguém dos Espíritos obsessores. Contudo, ao proporcionar esclarecimento ao obsidiado, está também a proporcioná-lo ao obsessor.

Há espíritos que não sabem mais que os encarnados acerca das leis que governam o mundo espiritual. O apelo que se faz ao obsidiado é que estude, que se esclareça, que se evangelize, que se melhore e que prossiga sua Caminhada Evolutiva rumo ao Pai Eterno.

À medida que o obsidiado se melhora o obsessor tem duas possibilidades: ou se melhora também, e deixa de querer prejudicar a sua vítima; ou se mantém na maldade e ignorância, e deixa de conseguir sintonia mental com esta. A melhoria da conduta do obsidiado é determinante. O obsessor sente o carinho, a bondade, do obsidiado, e acaba por ser tocado por isso.

Um processo de obsessão acaba por ser benéfico para ambos, obsessor e obsidiado, que evoluem ambos com a experiência. O inimigo de hoje será o maior amigo de amanhã, quando a compreensão e o perdão tiverem feito a sua obra regeneradora.

E há que acrescentar que o obsidiado nem sempre é o inocente da história. Nesta vida ou em anteriores, a nossa conduta descuidada, as nossa paixões inferiores, abrem portas à influência de espíritos ainda pouco evoluídos. Daí a recomendação de Jesus: “Orai e Vigiai!”.

Postado por Ana Maria Teodoro Massuci, em 11/03/16, na Rede Espirit Book

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