Quando, em Setembro do ano passado, a Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto adotou como seu slogan a assertiva: “Porque ler o mundo é essencial”, queria promover um debate sobre a leitura como instrumento para a formação do senso crítico. Desde então, o tema tem sustentado algumas atividades, em especial, promovidas nas escolas. Hoje, a entidade tem uma palestra que explora o tema, uma esquete teatral, vai lançar um documentário de 15 minutos ao longo da Feira Nacional do Livro com o mesmo título e começa a desenhar um projeto para ganhar as ruas da cidade. Mas, então, por que ler o mundo é essencial?

                Para dar a minha resposta pedirei ajuda a dois nobres brasileiros: Cora Coralina e Paulo Freire; a um português de tempos longínquos, Luís de Camões e ao génio Albert Einstein. Cora escreveu: “mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir e chorar, ir ou vir, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir”. São as nossas decisões que nos significam e definem quem somos. Decidir votar ou não votar, nesse ou naquele; participar ou seguir à margem. Fazer o mais difícil, porém o certo; encurtar o caminho pelo trecho ermo do errado. Quando decidimos, e o fazemos a todo o instante, tomamos forma, escolhemos lado, desmascaramos cara e coração. Se as minhas decisões me revelam, minha visão de mundo me norteia e meu mundo se expande ou se apequena quanto mais ou menos me informo e conheço. Mas sobre o que eu me informo e conheço?

                Então, deixa vir Paulo Freire, para quem “não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho”. Se ler é importante, ler o mundo é essencial. Ler o outro, os motivos do outro, as vontades e as ações do outro. É preciso saber de onde eu falo e onde está o outro que ouve. Ler o mundo não é ler longe, é ler a si mesmo, orientado ou amparado pelos livros que outros já escreveram.

                Mas é Camões quem conclui porque ler o mundo é essencial. Em Lusíadas ele afirma que “o fraco rei faz fraca a forte gente”. E quanto a essa assertiva não há prerrogativa. A força não está no braço, mas na mente, a mesma que segundo Albert Einstein, depois que se abre a uma nova ideia, jamais volta a seu tamanho original.

                Ler o mundo é essencial porque é preciso ampliar a mente, de maneira que, grande e forte, nenhum fraco rei a vença. Ler o mundo é essencial porque basta de Evas que simplesmente veem as uvas, é preciso de Coras que decidam, já que nos caminhos insertos da vida, o mais importante é o decidir.

Adriana Silva
Presidente da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto
Jornal “A Cidade” – Ribeirão Preto, 04/05/17

Nosso comentário: sem dúvida, um texto bem elaborado por uma mente sábia, mas, incompleto. Porquanto, na idade da razão e da lógica em que nos encontramos, não cabe mais o conceito de achar isto ou aquilo, aceitar isto ou aquilo… Temos conhecimento dos fundamentos existenciais do homem, que se enquadram na doutrina espírita. Ignorar isso, como dizia um filósofo, é o mesmo que não aceitar que o fogo queime ou água molhe. Interpretar uma sociedade à luz de uma só vida é completamente diferente da interpretação nos fundamentos reencarnacionistas. Além do real antídoto para toda a miséria social que estamos vivenciando. Vale a pena refletir…

 

Alberto Maçorano