• Afinal, o espírito que animou o corpo de um homem poderia encarnar-se em um animal?
    Sobre a chamada “metempsicose”, uma fantasia originária de culturas antigas, segundo a qual a alma pode animar, sucessivamente, variados corpos, de homens, animais e vegetais, O Livro dos Espíritos é categórico: “Isto seria retrogradar, e o Espírito não retrograda. O rio não remonta à nascente.” (Item 612)
    Segundo as respostas dadas pelos espíritos a Allan Kardec, duas coisas podem ter a mesma origem e não se assemelharem em nada mais tarde. “Quem reconheceria a árvore, suas folhas, suas flores e seus frutos no germe informe que se contém na semente de onde saíram? No momento em que o princípio inteligente atinge o grau necessário para ser espírito e entra no período de humanidade, não tem mais relação com o seu estado primitivo e não é mais a alma dos animais, como a árvore não é a semente. No homem, somente existe do animal o corpo, as paixões que nascem da influência do corpo e o instinto de conservação inerente à matéria. Não se pode dizer, portanto, que tal homem é a encarnação do espírito de tal animal, e por conseguinte a metempsicose, tal como a entendem, não é exata.”
    Ainda conforme O Livro dos Espíritos, a metempsicose seria verdadeira se por ela se entendesse a progressão da alma de um estado inferior para um superior, realizando os desenvolvimentos que transformariam a sua natureza. Mas ela é falsa no sentido de transmigração direta do animal para o homem e vice-versa, o que implicaria a ideia de uma retrogradação ou de uma fusão. “Ora, não podendo realizar-se essa fusão entre seres corporais de duas espécies, temos nisso um indício de que se encontram em graus não assimiláveis e que o mesmo deve acontecer com os espíritos que os animam. Se o mesmo espírito pudesse animá-los alternativamente, disso resultaria uma identidade de natureza que se traduziria na possibilidade de reprodução material. A reencarnação ensinada pelos espíritos se funda, pelo contrário, sobre a marcha ascendente da natureza e sobre a progressão do homem na sua própria espécie, o que não diminui em nada a sua dignidade. O que o rebaixa é o mau uso que faz das faculdades que Deus lhe deu para o seu adiantamento. Como quer que seja, a antiguidade e a universalidade da doutrina da metempsicose, e o número de homens eminentes que a professaram, provam que o princípio da reencarnação tem suas raízes na própria natureza; esses são, portanto, argumentos antes a seu favor do que contrários.”
    Os espíritos ainda esclarecem: “As diferentes espécies de animais não procedem intelectualmente umas das outras, por via de progressão; assim, o espírito da ostra não se torna sucessivamente do peixe, da ave, do quadrúpede e do quadrúmano; cada espécie é um tipo absoluto, física e moralmente, e cada um dos seus indivíduos tira da fonte universal a quantidade de princípio inteligente que lhe é necessária, segundo a perfeição dos seus órgãos e a tarefa que deve desempenhar nos fenômenos da natureza, devolvendo-a à massa após a morte. Aqueles dos mundos mais adiantados que o nosso são igualmente constituídos de raças distintas, apropriadas às necessidades desses mundos e ao grau de adiantamento dos homens de que são auxiliares, mas não procedem absolutamente dos terrenos, espiritualmente falando. Com o homem, já não se dá o mesmo.”
    E completam: “Do ponto de vista físico, o homem constitui evidentemente um anel da cadeia dos seres vivos; mas, do ponto de vista moral, há solução de continuidade entre o homem e o animal. O homem possui, como sua particularidade, a alma ou espírito, centelha divina que lhe dá o senso moral e um alcance intelectual que os animais não possuem; é o ser principal, preexistente e sobrevivente ao corpo, conservando a sua individualidade. Qual é a origem do espírito? Onde está o seu ponto de partida? Forma-se ele do princípio inteligente individualizado? Isso é um mistério que seria inútil procurar penetrar e sobre o qual, como dissemos, só podemos construir sistemas.”
    Irvenia Luiza de Santis Prada, veterinária e membro da AME-Brasil, lembra que o perispírito é o modelo organizador biológico, responsável pela embriogênese, quer de homens quer de animais ou plantas. “Assim, seria impossível a um perispírito parar o desenvolvimento na fase animal se já atingiu maior complexidade evolutiva, ou seja, a fase humana, assim como seria impossível a um animal atingir imediatamente a expressão do ser humano, se ainda não chegou a essa complexidade”, finaliza.
    Princípio espiritual evolui
    Já que o homem não pode reencarnar como um cachorro, por exemplo, seria possível ocorrer o contrário? O escritor e colunista da Folha Espírita Richard Simonetti, autor do livro Reencarnação, Tudo o Que Você Precisa Saber, tem a resposta: “Todo animal possui um princípio espiritual em evolução que um dia atingirá a complexidade necessária ao exercício do pensamento contínuo, transformando-se em espírito, habilitado à experiência humana. Não obstante o comportamento de certas pessoas sugerir que fizeram essa transição recentemente, ela demanda o concurso dos milênios e ocorre em outros planos da Criação, não na Terra, e envolve estágios intermediários. Não há, portanto, a mínima possibilidade de que um animal possa reencarnar como ser humano”, esclarece.

Fonte: Folha Espírita

Postado por Ana Maria Teodoro Massuci, em 24/01/17, na Rede Amigo Espírita