Entre os desdobramentos dos mensalões, dos lava-jatos, do processo de impeachment de Dilma Rousseff e também da pressão de um conselho de ética sobre o deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara Federal, passamos pelo Natal com dois complicadores.

De um lado, a greve branca de parte dos policiais rodoviários numa das épocas mais movimentadas nas estradas e de outro, uma das mais agudas crises na saúde do estado do Rio de Janeiro.

Coisa muito grave de gestante dar à luz na calçada de um hospital e de outro paciente supostamente morrer na entrada de hospital, sem socorro, como denuncia a família. Coisas a averiguar. Tudo isto denuncia falta de recursos e uma enorme imprevidência para deixar a coisa chegar a tal ponto.

Sabemos que a saúde, como a educação, são os dois setores mais sensíveis e de administração mais difícil. O primeiro mexe com vidas humanas. O segundo com a formação de gerações. Podemos formar imbecis, ou podemos formar homens de bem. Deles dependerá o país, para sair desta roubada em que entramos. Se os gestores tivessem ideia da responsabilidade que têm, certamente não dormiriam à noite.

Talvez seja bom incluir nos planos para 2016, uma profunda revisão de metas e métodos. Não podemos mais nos conformar com o ruim, nós que já aceitamos o péssimo. Temos que buscar excelência.

Editorial, Jornal A Cidade
Ribeirão Preto, 26/12/205

 

Nosso comentário: realmente concordo plenamente que há uma necessidade urgente de uma profunda revisão de metas e métodos. Infelizmente isso não vai acontecer na íntegra, por motivos os mais variados e interesseiros. Não adianta trocar nomes ou siglas, ou seja, trocar meia dúzia por seis. Se passarem 10% de todos os políticos e politiqueiros no crivo de uma peneira, talvez seja demasiado, em todo o Brasil. Apesar das vozes lunáticas, desinformadas e intolerantes, que bradam por aí, acredito piamente na integridade da Dilma e do Lula, para mim, os presidentes mais honestos que passaram pelo Planalto. É totalmente incoerente trocar uma pessoa honesta por alguns desonestos dos cogitados.

                O Brasil precisaria, sim, de uma reforma total. Já que estão puxando o tapete da Dilma, se ele fosse uma presidente roxa, fecharia o Congresso, isto é, extinguiria todo o aparelho administrativo do Brasil, que passaria a ser governado provisoriamente. Faria eleições antecipadas para toda a hierarquia administrativa, acabando com essa palhaçada de dois em dois anos. Mas… aqui é que reside o busílis da questão: toda a velha guarda política seria aposentada. Só seriam admitidos para a governação políticos ou pessoas que nunca tivessem exercido qualquer cargo político ou governativo e com fichas completamente limpas. O menor indício de corrupção ou qualquer meio ilícito, seria motivo de exoneração, sem direito a qualquer aposentadoria; extinção de todos os vices; salário mínimo de cinco mil reais. Com pequenas variantes, os salários de todos os políticos deviam fixar-se na faixa dos dez mil reais; ministros e governadores na faixa dos quinze mil reais e o salário do presidente seria o mais elevado de toda a hierarquia administrativa na faixa dos vinte mil reais. Extinção de todas as mordomias usufruídas, como, por exemplo, casas ou apartamentos ou qualquer verba para despesa de acomodação. Só os ministros teriam carro do estado (carros populares). Essa pouca vergonha de andar de avião à custa do património público seria completamente banida. Quem aceitar ser ministro ou político terá que viver em Brasília (grande aberração do J.K. e o aprofundamento da corrupção). Quaisquer viagens serão a expensas do interveniente, excetuando-se viagens de índole administrativa, na área dos ministérios. Criação de imposto único, apenas e tão somente.

                Na área administrativa é imperioso redesenhar um novo mapa geográfico, à semelhança dos Estados Unidos, em que os estados são traçados quase geometricamente e de dimensões próximas. Devemos copiar as coisas boas ou que dão certo em outros países. Não concebo a dimensão de estados como o Pará, Paraná, Matos Grossos, Maranhão, Minas, Amazónia, ao lado de um Espírito Santo, Santa Catarina e todos os do Nordeste. Quer dizer, fala-se tanto dos portugueses, mas ninguém até hoje teve coragem ou discernimento de mudar a herança do traçado colonial das províncias.

                Os estados deveriam ter completa autonomia, à semelhança também dos Estados Unidos. Não se concebe que a mesma lei possa vigorar da mesma maneira no Rio Grande do Sul ou na Amazónia, por exemplo. É necessário um governo semi-presidencialista, tal e qual o da América do Norte, com o governo central apenas para gerir um país realmente federado, porque até aqui isso não passa de uma utopia, apenas teoria. Extinção das prisões. As penas seriam cumpridas em lugares afastados das cidades, bem no interior das matas existentes ainda, trabalhando no campo para se sustentarem, construindo as próprias instalações e recebendo aulas de regeneração social. Ensino obrigatório da filosofia existencialista espírita e dos outros credos religiosos nas escolas.

                Acreditamos que com estas pinceladas, daqui por cinquenta anos aproximadamente, o Brasil possa tornar-se um país sério e poderoso no concerto das nações.

                Eu não sou brasileiro, sou português residente há 25 anos. Mas, há semelhança da famosa frase proferida por John Kennedy, no dia 26 de Junho de 1963 em Berlim Ocidental: “Ich bin ein Berliner” – Em Berlim, sou berlinense – afirmo também com convicção: no Brasil, sou brasileiro. Acredito que com essas premissas o Brasil possa finalmente materializar-se na tão sonhada Pátria do Evangelho.

 Mais infoirmações no nosso site: www.olivrodosespiritos.com.br

 Alberto Maçorano

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