Ele era médico no Interior e atendia, com zelo, sua clientela. Durante muitos anos, tratou de uma senhora viúva, cuja filha insistia para que fosse morar com ela, na capital.
No entanto, Dona Margarida continuava a morar sozinha, em sua casa. Várias razões relacionava para essa sua preferência. A mais importante, justamente os cuidados que recebia do dedicado médico, em quem confiava plenamente e por quem nutria grande amizade.
Certa feita, os familiares a levaram para a capital, em visita a parentes e amigos. Então, ela se sentiu mal e, de imediato, a filha telefonou ao Doutor Carlos, o médico da mãe.
Para que fosse devidamente examinada e medicada, ele recomendou um colega, na capital.
Passados alguns dias, quando Doutor Carlos chegou, pela manhã, bem cedo, ele viu à porta do consultório a sua cliente, sozinha.
Cumprimentou-a, sorrindo e disse: Bom dia, Dona Margarida, vejo que está muito bem!
E ela respondeu: É o que você pensa!
Ele achou graça na sua expressão. Entrou no consultório, que estava repleto, como sempre. Contudo, dada a idade avançada de Dona Margarida, instruiu a atendente para que a introduzisse, em primeiro lugar, para a consulta.
Mas, a senhora não estava na sala de espera, nem do lado de fora, em lugar nenhum.
Estranhou o fato o médico, mas envolveu-se na atenção aos tantos clientes que o aguardavam.
Logo mais, chegou-lhe uma ligação telefônica. Era a filha de Dona Margarida informando-o que sua idosa cliente desencarnara, há dois dias.
Os que transpõem a aduana da morte, não apagam da memória as pessoas que lhe constituem afetos. Muito menos, olvidam de ser gratos.
Por isso, fatos como o narrado ocorrem muito mais amiúde do que se possa pensar.
Muitas criaturas, no momento mesmo da morte, lembram-se de alguém a quem devotam especial afeto e, não raro, aparecem à visão psíquica daquele.
Popularmente, se fala: Ele veio avisar que morrera. Em verdade, trata-se de um gesto de carinho, uma doce lembrança de quem parte e se encontra distante.
Por vezes, um pedido de socorro daquele que se percebe em nova realidade da vida, fora do corpo físico.
Quando anotados dia e hora do acontecido, se poderá constatar, posteriormente, que coincidem com a hora da morte desse que assim se mostrou à visão psíquica.
Essa é mais uma prova da Imortalidade. Uma prova de que o corpo sucumbe, mas a alma, liberada, livre, vai aonde se encontre o seu interesse.
Já nos ensinara o Mestre, há muito tempo: onde estiver o teu tesouro, aí estará o teu coração, ou seja, onde estiver o nosso amor, aí estaremos.
Não nos esqueçamos disso e permaneçamos atentos.
Em tais ocasiões, envolvamos em prece o Espírito do amigo, parente, colega, que assim se manifestou.
Oração é luz, aconchego, proteção. É nossa forma de, igualmente, agradecer o aviso ou de auxiliar a quem, por vezes, é convidado a se transferir para o mundo espiritual, em pleno vigor e atividade física.

Redação do Momento Espírita, com base no artigo Um choque
de realidade, de Richard Simonetti, da Revista Reformador, de junho 2012,

Postado por Ana Maria Teodoro Massuci, em 09/11/17, na Rede Espirit Book