Meus amigos! Guardemos a paz que Jesus nos legou, a fim de que possamos servi-lo em paz. Em matéria de mediunidade, não nos esqueçamos do pensamento. A nossa alma vive onde se lhe situa o coração. Caminharemos impelidos pelas nossas próprias criações, seja onde for. A gravitação no campo mental é tão incisiva quanto na esfera da experiência física. Servindo ao progresso geral, move-se a alma na glória do bem. Fixando-se no egoísmo, arrasta-se em desequilíbrio, sob as trevas do mal.

            A Lei Divina é o bem de todos.

            Colaborar na execução dos seus propósitos sábios é iluminar a mente e clarear a vida. Opor-lhe entraves, a pretexto de acalentar caprichos perniciosos, é obscurecer o raciocínio e manter a sombra ao redor de nós mesmos. É indispensável ajuizar quanto à direção dos próprios passos, de modo a evitarmos o nevoeiro da perturbação e a dor do arrependimento. Nos domínios do espírito não existe a neutralidade. Evoluímos com a luz eterna segundo os desígnios de Deus ou estacionamos nas trevas, conforme a indébita determinação do nosso “eu”.

            Não adianta encarnar ou desencarnar, simplesmente. Todos os dias, as formas fazem-se e desfazem-se. Interessa a renovação interior com acréscimo de visão, a fim de prosseguirmos com a verdadeira noção da eternidade em que nos deslocamos no tempo.

            Consciência pesada de propósitos malignos, revestida de remorsos, plena de ambições desvairadas ou denegrida de aflições, apenas atrai forças semelhantes que a encadeiam a torvelinhos infernais.

            A obsessão é sinistra ligação da mente, com o desequilíbrio comum às trevas. Pensamos, e imprimimos existência ao objeto idealizado. A resultante visível das nossas cogitações mais íntimas denuncia a condição espiritual que nos é própria, e quando se afinam com a natureza das nossas inclinações e desejos, aproximam-se de nós pelas amostras dos nossos pensamentos.

            Se persistirmos nas esferas mais baixas da experiência humana, os que ainda permanecem nas linhas da animalidade, procuram-nos, atraídos pelo tipo dos nossos impulsos inferiores, absorvendo as substâncias mentais que emitimos, e projetando sobre nós os elementos de que se fazem portadores.

            Imaginar é criar. E toda a criação tem vida e movimento, ainda que ligeiros, impondo responsabilidade à consciência que a manifesta. E como a vida e o movimento se vinculam aos princípios de permuta, é indispensável analisar o que damos, a fim de ajuizar quanto àquilo que devemos receber.

            Quem apenas mentalizar angústia e crime, miséria e perturbação, poderá refletir no espelho da própria alma, outras imagens que não sejam as da desarmonia e do sofrimento?

            Um viciado entre os santos não lhes reconheceria a pureza, uma vez que, alimentando-se das próprias emanações, nada enxergaria senão as próprias sombras.

Quem vive a procurar pedras na estrada, certamente não encontrará apenas fragmentos diversos. Quem se detenha indefinidamente no meio da lama, está ameaçado de afogamento no lodo. O viajante fascinado pelas rosas à beira do caminho, sofre o risco de enlouquecer entre os espinhos do mato inculto. Vigiemos o pensamento, purificando-o no trabalho incessante do bem, para que nos libertemos da algema capaz de acorrentar-nos a obscuros processos de vida inferior.

É na formação das ideias que se forjam as asas dos anjos e as algemas dos condenados. Pelo pensamento escravizamo-nos ao suplício infernal, sentenciando-nos, por vezes, a séculos de peregrinação nos trilhos da dor e da morte.

A mediunidade torturada não é senão o enlace de almas comprometidas em aflitivas provações nos lances do reajuste; e, para abreviar o tormento que flagela de variadíssimas maneiras a consciência reencarnada ou desencarnada, quando em expiação, é imprescindível atender à renovação mental, único meio de recuperação da harmonia.

Satisfazer-se alguém com o rótulo em matéria religiosa, sem qualquer esforço de sublimação interior, é tão perigoso para a alma, quanto ostentar uma designação honorífica entre os homens, com menosprezo pela responsabilidade que ela impõe.

Títulos de fé não constituem meras palavras, acobertando-nos deficiências e fraquezas. Expressam deveres de melhoria aos quais não devemos fugir para não agravarmos as nossas obrigações. No cotidiano, não bastará o ato de crer e convencer.

Ninguém é realmente espírita à altura desse nome, tão somente por conseguir a cura de uma grande enfermidade com o amparo de entidades amigas, e se decida por isso, a aceitar a intervenção do além-túmulo na sua existência. Ninguém é médium, na elevada conceituação do termo, somente porque se faça órgão de comunicação entre criaturas visíveis e invisíveis.

Para conquistar a posição de trabalho a que nos destinamos em conformidade com os princípios superiores que nos enaltecem o roteiro, é necessário concretizar-lhes a essência na nossa caminhada, testemunhando a nossa conversão ao amor santificante. Não bastará, portanto, meditar na grandeza do nosso idealismo superior. É preciso confirmá-lo nas manifestações de cada dia.

Os grandes artistas sabem colocar a centelha do gênio numa simples pincelada em reduzido bloco de mármore ou na mais ingênua composição musical. As almas realmente convertidas ao Cristo, refletem-lhe a beleza nos mínimos gestos de cada hora, seja numa simples frase na ignorada cooperação em favor dos semelhantes ou na renúncia silenciosa despercebida à apreciação terrestre. Os nossos pensamentos geram os nossos atos, e os nossos atos geram pensamentos nos outros. Inspiremos simpatia e elevação, nobreza e bondade, para que não nos falte amanhã o precioso pão da alegria.

Convicção na imortalidade, sem altura de espírito que lhe corresponda, será projeção de luz no deserto. Mediação entre dois planos existenciais, sem elevação de nível moral, é estagnação na inutilidade.

O pensamento é tão significativo na mediunidade, quanto o leito é importante para o rio. Água pura sobre um leito de lama pútrida, apenas conduz a escura corrente da contaminação.

Indubitavelmente, divinas mensagens descerão do céu à Terra. Contudo, é imperioso a conexão adequada. Jesus espera pela formação de mensageiros humanos, capazes de projetar no mundo, as maravilhas do seu reino.

Para o aprimoramento ideal, é imprescindível que o detentor de faculdades psíquicas não se detenha no simples intercâmbio. Ser-lhe-á indispensável consagrar as suas forças às mais altas formas de vida, buscando na educação de si mesmo e no serviço desinteressado ao próximo, o material de pavimentação da sua própria trajetória.

A comunhão com os orientadores do progresso espiritual do mundo, através do livro, enriquece-nos o conhecimento, consolidando o valor mental, mas, a plantação da bondade constante, trás consigo a colheita de simpatia, sem a qual o celeiro da existência reduz-se a um lugar de desespero e desânimo.

Não basta ver, ouvir ou incorporar espíritos, para que alguém se torne respeitável. Irmãos ignorantes ou irresponsáveis encontram-se, como é natural, em todos os lugares da Terra, tendo em vista a posição de inferioridade em que ainda se encontram as coletividades do planeta e, muitas vezes, sem qualquer raiz de perversidade propriamente dita, milhares de almas, despidas do envoltório denso, praticam o vampirismo junto dos encarnados invigilantes, apenas para prosseguirem coladas às sensações do campo físico, das quais não se sentem com suficiente coragem para se desvencilharem.

Toda a tarefa evolutiva exige dedicação ao aperfeiçoamento. Isso é óbvio em todos os planos da natureza. Não há frutos na árvore nascente; a madeira não trabalhada é incapaz de servir com eficiência no santuário doméstico; a areia movediça não garante a sustentação; não se faz luz na candeia sem óleo; o carro não transita onde não houver uma estrada adequada.

Como entender o pensamento divino, quando a humanidade se perde nas mais baixas cogitações da vida? Como os mensageiros do céu farão penetrar a mensagem celestial no nosso entendimento, quando o espelho da nossa alma reflete os mais inferiores interesses? Em vão, buscaria a estrela retratar-se na lama de um charco.

Amigos! Pensemos no bem e executemo-lo. Tudo o que existe na natureza é a ideia exteriorizada.

O Universo é a projeção da Mente Divina, e a Terra, tal qual a conheceis em seu conteúdo político e social, é produto da mente humana.

Civilizações e povos, culturas e experiências constituem formas de pensamento, através dos quais evoluímos incessantemente para esferas mais elevadas.

Atentemos, pois, para a obrigação do auto-aperfeiçoamento. Sem compreensão e bondade, irmanar-nos-emos aos filhos desventurados da rebeldia. Sem estudo e sem observação, estacionaremos indefinidamente entre os infortunados expoentes da ignorância. Amor e sabedoria são as asas com que faremos o nosso vôo definitivo, no rumo da perfeita comunhão com o Pai Celestial.

Escalemos o plano superior, inspirando pensamentos de sublimação naqueles que nos cercam. A palavra esclarece! O exemplo arrebata! Ajustemo-nos ao Evangelho redentor. Cristo é a meta da nossa renovação. Regenerando a nossa existência pelos seus padrões, contribuiremos para reestruturar a vida íntima daqueles que nos rodeiam.

Meus amigos! Crede! …

O pensamento puro e operante é a força que nos arroja do ódio ao amor, da dor à alegria, da Terra ao céu…

Procuremos a consciência de Jesus, para que a nossa consciência lhe retrate a perfeição e a beleza! …

Saibamos refletir-lhe a glória e o amor, a fim de que a luz celeste se espelhe sobre as almas, como o esplendor solar irradia sobre o mundo.

Iniciemos agora mesmo o nosso esforço de elevação espiritual, e amanhã, teremos avançado consideravelmente no infinito caminhar! …

Meus amigos! Meus irmãos! Rogando a Jesus que nos ampare, deixo-vos com um até breve.

Do livro “Nos Domínios da Mediunidade”, cap. 13;
(Espírito André Luís e psicografia de Chico Xavier)

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