Em Ribeirão Preto, depois do placar de 55 a 22 no Senado, a torcida agora se divide entre os que ficaram muito satisfeitos com o afastamento de Dilma e os que lamentaram a saída dela por até 180 dias. Uma saída que pode se efetivar, dependendo do julgamento do processo de impeachment. Mas não há ideologia nisso. Há um pragmatismo de resultados. Todos querem mudanças, o fim da estagnação económica e da recessão com inflação.

                Não se trata, neste caso, só de escolher entre Dilma ou Temer, esquerda ou direita, mas de optar entre emprego e desemprego; entre os preços remarcados a galope ou a moeda estável.

                As classes B e C querem recuperar não apenas os preciosos postos de trabalho, mas também o direito de tirar férias, e viajar de avião, de comprar carro. E mais: de pagar um bom curso para a formação dos filhos e de apostar no futuro deles. E, claro, de ver o retorno de impostos em serviços prestados com dignidade à população.

                Enfim: o brasileiro quer respeito e bons tratos; quer saúde e educação; quer mesa farta e perspectiva de crescimento. Ninguém mais aceita a barreira da exclusão, nem os escândalos de corrupção. E, muito menos, a miséria dos bolsões não desenvolvidos, apesar da imensa riqueza deste país. Resta saber se Temer e equipe farão serviço. Terão que trocar pneu com carro andando. Não há mais tempo para procrastinação ou truques de mágica.

Editorial do jornal “A Cidade”
Ribeirão Preto, 13/05/16

Nosso comentário: muitos que me leram já sabem que não sou brasileiro, mas, parafraseando Jonh Kennedy (ex-presidente dos EUA) quando em 29 de setembro de 1963 pronunciou no seu discurso de apoio à Alemanha Ocidental, junto à vergonha histórica do muro de Berlim, a famosa frase: em Berlim, eu sou berlinense. Apesar de português, passados 25 anos neste maravilhoso país, eu também digo: Em Ribeirão Preto, eu sou Ribeirão-pretano. É nesse sentido que me causa indignação a afronta e o descaso das elites ao sofrido povo brasileiro. Além dos 25 anos que me proporcionaram acompanhar o desenrolar histórico, conheço melhor do que a maioria dos brasileiros a componente histórica e geográfica do Brasil, porque me interesso pelo conhecimento e pelo saber. O texto do editorial acima está divinamente elaborado, mas completamente equivocado, pois, gostaria que o editorialista me apontasse a par e passo o momento histórico em que os seus argumentos se consumaram. Assim, abordarei os principais argumentos do editorial com a minha contra argumentação ao lado:

“Placar de 55 a 22… a torcida”… (É de lamentar que uma situação tão séria como o que o Brasil atravessa, seja comparada ao desfecho de uma partida de futebol e respectivas torcidas).

“Todos querem mudanças”… (O único argumento verdadeiro)

“O fim da estagnação económica…  e da recessão com inflação”… (Deve estar a referir-se ao plano real do FHC, mas não se esqueça que o mérito não foi dele mas da sua equipe económica. Todavia, talvez não se lembre: quando o “semianalfabeto” Lula tomou posse, teve que assinar e responsabilizar-se por uma moratória de um empréstimo ao FMI que o senhor FHC teve que fazer às pressas, porque o Brasil estava na iminência de uma bancarrota. Porém, contudo, foi com esse semianalfabeto, que eu inicialmente também rejeitava antes de conhecer a sua verdadeira história, que assisti a um boom de crescimento económico generalizado do Brasil, aumentando até o seu respeito e dignidade a nível internacional. Ao contrário do que os “boyzinhos apregoam”, eu tiro, sim, o chapéu, a uma pessoa que saiu da sua terra natal num pau de arara e se formou na Universidade da vida, atingindo o posto de maior relevo de um país: a presidência da república, ao invés de aplaudir um mauricinho qualquer que se formou e subiu à custa de maracutaias sem nunca saber e conhecer “o pão que o diabo amassou”. A “dor de cotovelo” foi tamanha que não têm vergonha de perderem tempo preciso em procurar desvendar “TRIPLEXES” da vida, quando a corja de políticos está toda enlameada e encharcada de TRIPLEXES AINDA MAIORES.

Não se trata de escolher entre Dilma e Temer… (Esquece senhor jornalista que não estávamos em período de eleições, mas, tão somente na forja de um “golpe” que se consumou com o aplauso da escória política brasileira. Não sou idiota ao ponto de ter que engolir que se tratou de um autêntico processo democrático constitucional)

As classes B e C querem tirar férias… viajar de avião, comprar carro… pagar um bom curso para os filhos… (Esquece senhor jornalista que a maioria do povo brasileiro vegeta e mal sobrevive com o mínimo de dignidade, para esse ninguém se dignou olhar)

Retorno de impostos em serviço para a população… (Gostaria de saber em que momento histórico os impostos brasileiros sobrarem para um bom suporte ao seu povo)

O brasileiro quer saúde e educação… mesa farta e perspectiva de crescimento… (Gostaria de saber também, em que momento histórico o Brasil teve saúde e educação dignas e mesa farta?)

Ninguém aceita a barreira da exclusão, nem os escândalos de corrupção… nem a miséria dos bolsões não desenvolvidos… (Gostaria de saber também em que momento histórico deixou de haver favelas e excluídos, e também não me ocorre que em algum momento deixou de haver escândalos e corrupção neste gigante Brasil). Então por quê pretender aspirar agora a uma simples utopia, uma vez que não houve mudança da matéria prima? Por quê condenar uma presidenta que foi impedida de governar desde o primeiro dia do seu mandato? Por quê sacramentar falsos testemunhos contra a presidenta sem categóricas comprovações, quando os seus algozes estão também atolados no mar da corrupção, começando pelo comandante Temer? Sem falar, evidentemente nos Cunhas da vida, Renan Calheiros, Paulo Salim Maluf, família Sarney, Jucás da Vida, etc., etc., etc.; foi para isso que se fez tanta zoeira, tanto panelaço, tanto estardalhaço e tanto desperdício de dinheiro, uma vez que ninguém trabalhou desde as eleições, mas no final do mês recebiam os chorudos salários e mordomias. Não será isso também roubo e corrupção?

                CHEGA DE TANTA HIPOCRISIA…

 Alberto Maçorano