Um ministro diz que julgar o Caixa 2 é abuso de poder. Outro, com toda a empáfia da toga, afirma que o Tribunal Superior Eleitoral tem a missão de defender os mandatos que representam o povo. O presidente, que não perde a oportunidade para exibir sua arrogância vaidosa, comunica que é preciso evitar a “sanha caçadora”.

                O relator lê 8.500 páginas e mostra provas irrefutáveis; mas o jogo tem o resultado combinado e não valem argumentos e fatos.

                Mentiras entortam verdades e sofismas são embalados em “bondades jurídicas” que cinicamente agridem a inteligência e revelam que o Brasil está contaminado pela indignação estéril e conivência esperta.

                Sabia-se que o ministro Napoleão Maia absolveria a chapa Dilma-Temer para salvar o mandato do presidente. Duvidava-se um pouco de Admar Gonzaga, mas ele foi a cereja do bolo encruado, ao afirmar que não se deve julgar o Caixa 2. Com Tarcísio Meira e Gilmar Mendes, eles dão sobrevida ao bando peemedebista, apoiado pelos tucanos enquanto usufruir o poder.

                Oe demais votos também não eram segredo. Estava claro; quatro a três para o governo. Mas a farsa, com cartas marcadas de ambos os lados, durou três dias e terminou como se esperava e foi dito aqui várias vezes: Temer continua, mentindo sem constrangimento, como no caso da carona que pegou no avião da JBS: primeiro disse que era da FAB, depois, que não sabia. Só no Brasil, mesmo…

                Agora o Ministério Público deve denunciá-lo como chefe de quadrilha. Alguém duvida que não seja? Mas a experiência demonstra que, quanto maior a imoralidade, menos chance tem de impressionar os que deveriam punir os crimes políticos. A não ser que inflem o pato…

Júlio Chiavenato
Jornal A Cidade, Ribeirão Preto, 10/06/17 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: desculpem caros leitores voltarmos à fala sobre este tema tão desgastado do atual momento político brasileiro. Costuma-se dizer que quem quer ser respeitado deve dar-se ao respeito. Agora imaginem quanto mais responsável se torna num órgão de justiça. Se a “justiça” é banalizada, sancionando-se a injustiça, que credibilidade oferece esse órgão de justiça? Como respeitar tal instituição na pessoa de seus membros? Pasmem! É isso que, infelizmente, está acontecendo nas instâncias maiores da justiça brasileira, onde a “justiça” é vilipendiada.

                Como um ministro de justiça pode dizer que julgar o Caixa 2 é abuso de poder? Então vamos institucionalizar o Caixa 2 e acabar com a Lava Jato, porque não tem mais fundamento a sua permanência, uma vez que os seus pressupostos não existem mais.

                Como um ministro pode dizer que é preciso evitar a “sanha caçadora” para alguns, quando para outros se perde o precioso tempo e dinheiro público para forçar que um cidadão seja dono de um tríplex e de um sítio, quando o Brasil tem tantos problemas sérios e gravíssimos para resolver?

                Como um ministro (Gilmar Mendes) pode falar que não se deve provocar a instabilidade económica por conta da instabilidade política e que não se deve mudar de presidente a toda a hora? Foi esse o critério adotado para o governo Dilma? Então, perante esses argumentos pode-se ser corrupto e ladrão para não mexer na estabilidade… governamental? Foi por essa estabilidade que vetou a tomada de posse de Lula como ministro da casa civil?

                De igual modo, quando o tribunal diz que tem o direito de defender o mandato que representa o povo, mesmo que seja corrupto e ladrão?

                E para concluir, fizeram tanta arruaça e panelaço para destituir uma presidente séria e legitimamente eleita pelo voto popular, sem comprovação de quaisquer vínculos de corrupção, para colocar um presidente e um governo atolado na corrupção a mando de um grande vigarista maior de nome Aécio e não se faz nenhuma arruça nem panelaço.

                Este é o panorama político e governamental do Brasil atual.

Até quando vamos suportar de mãos cruzadas tanta podridão nos bastidores de Brasília, pelos meios democráticos?

Alberto Maçorano