Um dos fenómenos da política brasileira é a importância dos “evangélicos”. Eles decidem o destino nacional. Sem a aprovação dos evangélicos que se unem na bancada da bíblia, Dilma não seria eleita nem seria afastada. Parece democrático: os evangélicos estão no Congresso porque foram eleitos. Ninguém foi obrigado a votar neles, como ninguém força os fiéis a pagarem o dízimo, ou, em casos extremos, entregarem seus bens aos pastores.

                Democraticamente, permite-se outra interpretação: tais líderes religiosos exploram a crendice popular e prometem o paraíso em troca de alguns trocados (com as raras exceções de praxe). Tornaram-se tão influentes que não há igreja que não aponte aos fiéis em quem votar. Os eleitos aderem a todo o tipo de negociatas em troca de vantagens.

                PT e PSDB dão tudo o que “evangélicos” pedem. A governabilidade depende dos seus votos. Para agradá-los até o Itamarati é obrigado às bizarrices. Serra, acaba de renovar os passaportes diplomáticos ao pastor RR Soares e sua mulher, da Igreja Internacional da |Graça de Deus. Já havia concedido passaportes diplomáticos a Samuel Ferreira e sua mulher Keila, pastores da Assembleia de Deus. Ferreira é investigado pela Lava Jato por usar a sua Igreja, em Campinas, para receber propinas de Eduardo Cunha. Em 2013, Dilma deu passaportes diplomáticos ao líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, o conhecido farsante, Waldemiro Santiago de Oliveira e a sua mulher.

                Dedução fácil: os políticos agradam os charlatães em troca de voto. Se fôssemos um país sério, tanto os trapaceiros, como seus patronos, estariam na cadeia.

Júlio Chiavenato 
Ribeirão Preto, 02/07/16 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: parabéns senhor Chiavenato pela dignidade e coragem em afirmar publicamente o que é óbvio. Só os “cegos” e fanáticos pela bíblia debaixo do braço ou fora dele, não conseguem enxergar a evidência de uma realidade. São tão escrupulosos nos seus ensinamentos que, mesmo com tanto exibicionismo de bíblias carregadas nas mãos, além da gritaria infernal em alguns “templos”, deixam vir à tona dinheiro escorregando pelas cuecas e a lavagens de outro por “pastores e certas igrejas”. Parece que o Deus deles deve ser um grande “doleiro” invisível.  Pois, para fazer tantas transferências dos compradores de lugares e sítios no céu, só um grande doleiro para concretizar tanto câmbio.

                Falam tanto em Jesus, “palmas para Jesus”, etc. e tal. Por acaso algum desses líderes exibiu procuração de Jesus para falarem em seu nome? Todos sabemos que não é ético detonar alguém publicamente. Mas, pelo amor de Deus, a farsa é tão evidente e flagrante, que só não enxerga, realmente, aquele que está “cego”. Para seguir os princípios éticos e morais, não precisamos de “berreiros” nem exibicionismo de bíblias (adulteradas e interpretadas a seu belo prazer). Simplesmente, praticar o bem e não fazer mal ao próximo. Além do conhecimento, evidentemente, daqueles que querem saber mais do que o óbvio, mas que só o espiritismo consegue transmitir. Será que é isso que eles fazem? Se assim fosse, Dilma não seria incriminada por um crime que não cometeu.

 Alberto Maçorano