Foram grandes os pais da pátria dos Estados Unidos. Líderes, apontaram caminhos para o país e – por via de consequência – também a todo o mundo ocidental. Mas, os pais da pátria brasileira – com diferença de lapso de tempo de realização – não foram menores. Joaquim Nabuco, Bernardo Pereira de Vasconcelos e José Bonifácio de Andrade e Silva, para ficarmos apenas em três, não ficaram abaixo. Pelo contrário. Sempre tive este entendimento que pontificou sobretudo a partir do momento em que comecei a traçar paralelo entre os pais da pátria dos dois países. José Bonifácio – por exemplo – já na independência vislumbrava o Brasil como uma grande nação, fundada na tolerância e no cruzamento de raças.

                Alguém – após esta introdução, entretanto – poderá perguntar o motivo da diferença tão acentuada entre ambos. Esta diferença aumenta em vez de diminuir. Ser original – dizem alguns filósofos – é voltar às origens. Tenho comigo que – já no início – enquanto os Estados Unidos nasceram de um grupo de quakers que queria liberdade, sobretudo religiosa, o Brasil, não. Ele foi iniciativa do governo português. Portanto, um projeto do estado português ao mesmo tempo em que os Estados Unidos – assentados na busca da liberdade, a começar pela religiosa, foram produto da iniciativa privada. Esta diferença inicial, até hoje, gera consequências para o Brasil onde o estado, inclusive, é dono do solo e do subsolo. No passado, todo o solo – e subsolo – era do rei de Portugal.

                Nós somos, por isso, quase tudo do que fomos. Nossos pais da pátria supunham que, no processo cultural, teríamos líderes para mudar o rumo do país. Não os tivemos, até hoje.

Vicente Golfeto 
Ribeirão Preto, 17/09/16 
golfeto@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: muito oportuna e com visão genial, como é seu apanágio, a sua incursão pelas trajetórias dos dois grandes países. Realmente o senhor fez uma tradução impecável do nascimento das duas nações, como eu não seria capaz, mas que é fidelíssima. De fato, as suas origens foram bem diferenciadas e suas consequências ainda são esse reflexo. Até porque, o “DNA” do povo colonizador dos Estados Unidos é completamente diferente do “DNA” dos portugueses, como nação pioneira no grande movimento das descobertas do passado. Apesar do atraso? Que ainda se constata, no concerto das nações, acredito que está reservado ao Brasil um papel preponderante na irradiação da fé cristã pela difusão crescente da doutrina espírita, na consubstanciação de que foi escolhido pelo próprio Jesus, ainda sem a existência física brasileira, mas demarcado na espiritualidade o território que viria a ser descoberto pelos portugueses, também escolhidos na espiritualidade para esse feito, como centro irradiador do Evangelho de Jesus, que nos seria transmitido pelo espírito do grande jornalista brasileiro Humberto de Campos, através da genial psicografia de Chico Xavier, que esta nação está determinada para ser “O coração do mundo e a pátria do Evangelho”. Já poderia estar mais avançado? Talvez? Mas, tudo leva o seu tempo e apesar de já terem passado por este país eminentes mensageiros com essa finalidade, mas ainda não em número suficiente para fazer a diferença. Pensemos em irmã Dulce, Padre Cícero, Frei Damião, Padre Donizete, Frei Galvão, Bezerra de Menezes, Cairbar Schutel, Eurípedes Barsanulfo, entre tantos outros que sequer me ocorrem seus nomes, mas concluindo com a trajetória sublime de Chico Xavier, Raul Teixeira e ainda no ativo o maior “caixeiro viajante” do espiritismo de todos os tempos, que já visitou praticamente o mundo todo, difundindo a mensagem espírita e mantendo há mais de sessenta anos a maior obra assistencial de crianças do Brasil, onde recebe diariamente cerca de cinco mil crianças, e quiçá, uma das maiores do mundo; falamos de Divaldo Pereira Franco, com 89 anos de idade e que, com pequenas incursões televisivas, como a do Jô Soares no dia 10 deste mês e há uns anos, uma pequeníssima aparição no “Mais Você” da Ana Maria Braga, é estarrecedor que durante 60 anos não se disponibilizou nenhum canal de televisão aberta para fazer uma grande reportagem sobre esse exemplo de dedicação e amor ao próximo, em Feira de Santana, na Bahia, no bairro Pau da Lima. Por isso, caro Vicente Golfeto, as mudanças ainda não se incrementaram, porque o espaço da mediocridade ainda está na direção da grande nau. Estamos numa fase de transição e os fatos recentes assim o indicam. Melhores dias virão, com certeza e grandes vultos reencarnarão e outros já reencarnaram com essa grandiosa missão.

 

Alberto Maçorano