Quanto custa a corrupção? Não só as fabulosas propinas distribuídas aos políticos, como a Lava Jato mostrou. Custa bem mais do que estes milhões de reais.

Custa a saúde de muitos cidadãos, o anunciado assassinato da infância e da adolescência e o sofrimento de uma parcela do povo que se acostumou tanto com a sua “inferioridade social”, que sobrevive como bicho entocado, nas periferias urbanas das grandes cidades e nos cafundós do Brasil – vítimas da fome, da ignorância e da violência.

Pagamos caro para que corruptos e suspeitos possam se safar dos processos e anularem provas comprometedoras. Por exemplo, não foi barato a troca dos deputados na Comissão de Justiça da Câmara, para votarem a favor de Temer. O escândalo não se restringe à imoralidade de mudar as regras com o jogo em curso. O presidente usou o dinheiro do Estado, isto é, do povo, para liberar verbas aos aliados que comprou. Incrivelmente às claras, sabido de todos.

E daí? Daí, como sempre, nada. Ouvimos o advogado de defesa derrapar na ética e afundar-se na teatralidade e, por fim, chantagear os velhacos que estavam lá, alertando que “pau que dá em Chico, dá em Francisco” – ou seja, se eles não se preocuparem a Lava Jato poderá condená-los.

Infelizmente o Brasil não “pensa politicamente”. Não há debate, mas uma discussão onde prevalece o preconceito e se alimenta o ódio. Com isso a corrupção prospera. Chegamos a uma queda moral tão grande que os políticos já não usam a hipocrisia para esconder o cinismo. Eles sabem que o povo está indefeso. Vivemos uma democracia primitiva liderada por safados.

O povo paga a conta, sustenta os malandros “de cima” e ainda vota neles.

Júlio Chiavenato
Jornal A Cidade, Ribeirão Preto, 15/07/17 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: realmente meu caro Chiavenato é difícil digerir por pessoas sérias, dignas, trabalhadoras, honestas, exploradas até à ponta dos cabelos, com tanta miséria por esse Brasil afora, com tantas carências a todos os níveis, educacional, saúde e segurança, ser esnobada por uma corja de “bandidos” que usurparam o poder e o manipulam a seu belo prazer, esbanjando a rodos a dinheirama do país, para se banquetearem no festival da abastança, da corrupção, da hipocrisia e do cinismo, como se o Brasil fosse só deles. Ainda se dão ao luxo de sustentar ricamente pseudo-juizes que sequer conhecem a realidade brasileira, filhinhos de papá, que brincam com a jurisprudência, gastando tempo e dinheiro em incriminarem um homem honesto (Lula), que dizem possuir aquilo que não tem, deixando centenas de ladrões comprovados à solta, sem se importarem minimamente com a miséria do povo brasileiro. Realmente o Brasil não passa de uma República de Bananas… Palmas para quem inventou esse título.

Até quando vamos conviver com essa palhaçada?…

Alberto Maçorano

OBS: vejam a comprovação desta crónica na postagem anterior, que comprova por a + b, o texto desta que acabamos de publicar.