Nossa enquete mostra o que todos já sabemos: dois em cada dois entrevistados estão encerrando 2015 com um sentimento profundo de desilusão em relação aos políticos brasileiros. Eles fizeram por onde. Com honrosas exceções, é preciso que se diga, criaram esta imagem desde os tempos, hoje românticos, do “rouba, mas faz”. Há quem diga que agora é o “rouba e não faz”. Não faz e ainda manda o dinheiro para o exterior.

            Entre uma coisa e outra, percebe-se o profundo cinismo que se encerra nesta postura nefasta do desrespeito aos cidadãos e à cidadania. Uma postura que é mais uma “impostura”. É um modo de agir que prima pela desfaçatez e pela ambição bruta.

            Em compensação, fazendo um balanço realista, estamos vendo, como nunca vimos, os “colarinhos brancos sendo punidos”. Presos, delatados, processados e, em alguns casos (ex-governador mineiro) já sentenciados em primeira instância. Líderes do PT, como José Dirceu e José Genuíno, também respondem perante a justiça.

            Há nisso tudo uma sensação que para nós, brasileiros, é nova. O fim da impunidade. Portanto, talvez estejamos, neste fundo de poço, a garimpar as pedras que nos devolverão o brilho da decência e o brio da ética.

            Há que se passar este país a limpo e, de tantas lições e subtrações, quem sabe, veremos emergir um tempo novo. Vamos à operação FENIX em 2016.

Editorial Jornal A Cidade
Ribeirão Preto, 28/12/15

 

Nosso comentário: é o que mais poderíamos desejar: “o renascer das cinzas” em 2016. Todavia, não querendo ser pessimista, isso ainda não irá acontecer. Será dado, realmente, um importante passo nesse sentido, mas ainda serão necessárias algumas décadas para que se extraia completamente ou quase, a erva daninha enraizada nos meandros da política brasileira, com honrosas exceções, evidentemente. É vergonhoso demais assistirmos de mãos atadas ao teatro e encenação de verdadeiros ladrões do património brasileiro. Fico estarrecido como é possível ver indivíduos atolados na corrupção ocuparem cargos administrativos. Mas, é preciso que se note que esta situação não é virgem, nem de agora, como alguns fanáticos pretendem insinuar. Se na colónia já existiam desmandos, eles continuaram e persistem até aos dias de hoje. Portanto, tiro o chapéu, ao contrário do que se propala à boca cheia, para Dilma Rousseff, que, apesar de uma governação não muito satisfatória, permite que o governo eleito democraticamente funcione sem entraves de qualquer natureza para julgar os criminosos já desmascarados. É preciso e necessário que essa operação não emperre em alguma engrenagem. Porém, o fanatismo e a intolerância são tão desastrosos que querem à viva força incriminar a Dilma e o Lula sem quaisquer provas palpáveis de corrupção. Para mim, que estou aqui neste belo país há cerca de 25 anos e pelo que já conheço da sua história, que não é pouco, esses dois políticos foram os mais honestos que já passaram pelo Planalto. Isso tem de ser dito em alto e bom som, doa a quem doer.

                Não obstante, é muito cómodo depois de tanta roubalheira, ficar hospedado nas prisões, com todos os requintes, sem nada fazer. Isso está completamente ultrapassado. As prisões já deviam ter sido extintas há muito tempo. Os prevaricadores de qualquer espécie devem ser isolados da sociedade durante algum tempo, tipo interior da Amazónia, e trabalharem no duro para se alimentarem e construírem as suas próprias cabanas, além de receberem aulas filosóficas, éticas e morais para se regenerarem e, após bom aproveitamento voltarem a ser integrados na sociedade. É este o tipo de justiça que é imperioso instituir na atual sociedade, não esquecendo que, mesmo assim, não escaparão à justiça divina.

Mais informações no nosso site: www.olivrodosespiritos.com.br

Alberto Maçorano

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