Temos acompanhado neste espaço e na coluna do Chiavenato uma linha de abordagem onde tentam de toda a forma desqualificar o impeachment e o governo interino do presidente Temer. Vamos por partes, não votei na Dilma, portanto não dei meu apoio ao Temer,

mas, diferente do que os petistas e simpatizantes dessa religião, tentam, não vejo como golpe a saída da presidente Dilma. A situação a que o país chegou com três anos de recessão, o maior índice de desemprego das últimas décadas, um rombo de 170 bilhões onde não sabemos para onde foi esse dinheiro, são motivos de sobra para retirar um presidente mesmo que eleito democraticamente. Em contrapartida, também não gosto do PMDB, afinal, se fosse analisar a história desde a redemocratização de 1985, esse partido esteve ou foi governo, sendo, portanto, responsável por grande parte de situação a que chegamos. E, agora comprovado pela Lava Jato, seus caciques também levaram vantagem durante o governo Lula / Dilma. Mesmo diante disso tudo, eu prefiro um governo Temer ao (Des) governo Dilma. Como todos sabemos, a grande maioria dos remédios são provenientes de venenos, ou seja, o veneno PMDB e Temer pode ser um medicamento para estancar a doença que o país contraiu com o governo Dilma.

José Humberto Lopes
Jornal “A Cidade”
Ribeirão Preto, 09/06/16

 

Nosso comentário: pois é senhor José Humberto Lopes, não é comum ver um químico desenvolver um bem orquestrado trocadilho de palavras e frases. Todavia a administração pública de um país e respectivo sistema democrático não se compadecem com esse tipo de orquestração. Por força do sistema democrático, cada um é livre de dizer o que bem quiser e entender desde que não ofenda e desde que fundamentadas as suas afirmações. Críticas construtivas são sempre bem-vindas. Esse é o sistema democrático que eu visualizo. Que eu saiba não consta na “carta magna” deste país que um governante seja destituído só porque supostamente provocou um rombo financeiro, ou fez as tão famosas e discutidas “pedaladas fiscais” (feitas por todos os ex-presidentes, inclusive pelo “santinho” Temer), ou porque alguém, simplesmente, não vai com a cara do governante. Por isso, me surpreende que uma pessoa do seu quilate académico possa desqualificar alguém que foi contra o impeachment ou questionar o trabalho do isento e perspicaz jornalista Chiavenato, dos poucos neste país com qualificação, bom senso e discernimento. Sem entrar no mérito da questão, o impeachment, na verdade, foi mesmo um golpe. Só um cego não vê ou pretende ver. Quer dizer, a grande mídia internacional e eminentes observadores como por exemplo, o ex-presidente do STF Joaquim Barbosa, também são desqualificados? Por outro lado, alguém provou por a + b que o rombo de 170 milhões é verdadeiro? Por acaso a oposição contribui em alguma coisa para ajudar a resolver a crise? Bem pelo contrário, ajudou a afundar ainda mais o Brasil. É isso o patriotismo dos políticos brasileiros? Ainda se dão ao luxo de eles próprios fazerem reivindicações salariais exorbitantes, como o “digníssimo e patriótico STF”. Aonde está a ética, a dignidade e o bom senso? É assim que vamos acabar com a corrupção? E que eu saiba, senhor Humberto Lopes, o PT não é nenhuma seita religiosa, qual será a do senhor? Também, pela falta de coragem em colocarem o estudo da religião nas escolas, é que a juventude brasileira segue transviada, sem rumo na vida, acontecendo os desastres sociais e psicológicos que estamos vivenciando. É engraçado e sem explicação que, sendo o Brasil um estado “laico” tenho o descaramento de instituir feriados religiosos de índole católica. Os venenos a que o senhor se referiu são para o fabrico de vacinas que irão imunizar o corpo. Por acaso o governo Temer está isento de corrupção? Então, os supostos venenos “PMDB e Temer” são falsos e em nada contribuem para a saúde da crise instituída. Logo, o impeachment foi um golpe e uma farsa.

 

Alberto Maçorano