Éramos atrasados, mas não imbecis. Hoje somos “avançados”, mas idiotas.

Nossas crianças já nascem com o DNA eletrônico. Nossos jovens atravessam a adolescência com um smartphone grudado na orelha. Por isso não ouvem o som ao redor.

Antes, tínhamos uma visão crítica sobe o “american way of life”. Sabíamos separar o joio do trigo e cultivar o que a cultura norte-americana tinha de bom e recusar os seus aspectos ridículos. Hoje, a mediocridade hollywoodiana, o pragmatismo nova-iorquino e a breguice maiamesca venceram. Perdemos o senso crítico e nos abrimos para o que de pior a indústria cultural exporta para nos colonizar, transformando-se em passivos consumidores do lixo musical, literário e das “artes” em geral.

Cada vez mais nos abrimos aos modismos. A língua portuguesa envergonha muitos brasileiros, pois veem nela um entrave para o conhecimento. Há uma nova “categoria” de brasileiros que não entendem a modernidade se não for acompanhada de palavras criadas pelo oportunismo do Tio Sam – nem sempre expressões da língua de Walt Whitman ou Bob Dylan.

Como ainda não somos uma nação, não temos a resistência cultural dos europeus, que mantêm os norte-americanos a uma distância irónica. Somos vulneráveis como crianças; continuamos “nativos” diante do invasor com suas armas midiáticas poderosas e a capacidade de nos seduzir com espelhos e bijuterias.

Nossa elite cultural associa-se às conveniências do poder político e económico. Não anulamos a derrota com uma resistência interna – aderimos ao vencedor.

Como diria Groucho Marx, essa geração pós-verdade “pode parecer idiota e agir como idiota; mas não se engane, ela é realmente idiota”.

Júlio Chiavenato
Jornal A Cidade, Ribeirão Preto, 09/07/17 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: até na cultura o Brasil manifesta uma grande decadência, traduzindo-se nos quesitos ilustrados pelo Chiavenato, culminando na besteira máxima que eu também já era conhecedor, em atribuir à nobre língua portuguesa as suas excelsas mediocridades. Quanta ignorância…

Alberto Maçorano