O Rio de Janeiro chega a mais uma de tantas estatísticas tristes que coleciona: o centésimo policial (100º) morto somente este ano.

O segundo sargento Fábio José Cavalcante e Sá, 39 anos, foi baleado na frente do pai. Foram mais de dez tiros – um, de fuzil, na cabeça.

A grande maioria das pessoas utiliza o fato triste para lançar mão de argumentos extremistas como soluções miraculosas para o fim da violência – bandido bom é bandido morto, 

porte de arma para o cidadão de bem, pau na vagabundagem.

Considero isso de uma desonestidade intelectual sem precedentes.

Pelo óbvio: todas as alternativas citadas acima injetam ainda mais violência no dia a dia das pessoas. Com violência de todos os lados, maior o número de vítimas.

(Nota deste autor: antes que alguém banque o imbecil, não se trata de proteger o bandido: trata-se de proteger o cidadão e também o policial)

Aliás, é incrível como cada vez mais se acredita em soluções fáceis. Bandido está armado? Mais armas para a polícia! Como se o resultado da soma arma + arma fosse igual a paz.

Não é. E olha que eu sou ruim de conta…

Passou da hora de tratarmos os problemas de nossa sociedade como devem ser tratados: de forma coletiva. Os PMs mortos não são um problema só da PM (polícia militar): são um problema de todos nós. O aumento do número de dependentes de crack não é um problema da família do rapaz ou da moça: é nosso. Se o vereador X rouba, não é problema do eleitor do vereador X: é de cada um de nós.

E quando o problema é de todos, a solução tem de ser coletiva também. Por isso, não é fácil. Exige diálogo, dedicação, pesquisa, debate, definição de prioridades, plano de ação, contribuição de diversos setores.

Qualquer outra ação serve apenas para enxugar gelo, criar frases de efeito ou lavar sangue das mãos.

Sangue nas mãos de todos nós.

Thiago Roque
Editor chefe do Jornal A Cidade e do
Portal Acidade On Ribeirão
Ribeirão Preto, 18/08/17

Nosso comentário: parabéns, mesmo, Thiago Roque. Evidentemente que não conheço toda a mídia jornalística brasileira, mas pelo que já li e ouvi na televisão, nunca  me deparei com uma coluna tão coerente e humana quanto esta que acabo de ler. Fiquei mesmo sensibilizado. Aliás, não foram poucas as vezes que eu já escrevi para esse jornal abordando essa questão de modo idêntico.

O problema é gravíssimo e jamais pela violência será vencido. Aliás, quem não conhece a ancestral frase: “violência gera violência” … Então, porquê insistir nessa tecla pelas entidades governamentais? Não obstante: você fala, eu falo, mas ninguém tome providências. Parece que estamos pregando no deserto… o que não deixa de ser verdade, infelizmente, analisados os fatos com a real frieza.

Acredito que ninguém é marginal porque quer. Por outro lado, também ninguém nasce com o rótulo de marginal. Todos somos iguais e filhos de Deus pelo nascimento. Mas, no decorrer da vida e, a maior parte das vezes por culpa da sociedade, as pessoas se tornam marginais e dependentes químicos.

Sei que a maioria das pessoas, por ignorância e preconceito, têm muita dificuldade em aceitar os pressupostos existencialistas ensinados pela doutrina espírita. Todavia, são uma realidade. Se isso é um fato, por que os governantes não incluem esse conhecimento nas escolas? Muitos não gostam de matemática, por exemplo, mas são obrigados a estudá-la porque faz parte do currículo escolar.

Já afirmei várias vezes e continuo afirmando que se todo o “marginal ou dependente químico” soubesse das consequências que os esperam no tribunal divino, pensariam mil vezes antes de cometerem qualquer crime e, com isso caminharíamos para uma sociedade mais tranquila a médio prazo.

Trata-se apenas de uma introdução a um desenvolvimento mais profundo. Porém só através do esclarecimento e da educação sairemos do lamaçal em que nos encontramos.

Caro Thiago, apesar dos meus 70 anos, coloco-me ao seu dispor, para materializar um grupo de estudo que viabilize os nossos postulados, aproveitando o nosso vasto conhecimento intelectual e experiência pluricontinental. A violência e a educação estão entranhadas no meu “calcanhar de Aquiles”…

É evidente que o problema é nosso, mas precisamos mais de ação do que de palavras.

Então mãos à obra…

Alberto Maçorano