Uso do livre-arbítrio em uma nova rota de felicidade.

A humanidade vem construindo seu caminho no decorrer das eras mediante dificuldades vencidas “a duras penas” (como se diz); e chegou a um ponto na escala evolutiva em que, como bem frisou Kardec em O Livro dos Médiuns, já não se satisfaz com “enganações da meninice”.

Convivemos hoje ainda com criaturas cuja ambição e egoísmo se sobrepõem à razão e ao bom-senso e que, em vista disso, audaciosos e intrigantes que são (OLE q.932), conseguem destacar-se no meio em que estão inseridos.  Estes, muitas vezes detentores de poder público, fazem promessas de realizações e mais realizações a bem da coletividade que jamais se realizam; muitos de nós conhecemos a famosa assertiva: “vamos fazer o bolo crescer para depois dividir” – só que não disseram entre quem e a partilha foi e continua sendo feita entre muito poucos…

A moderna tecnologia permite-nos conhecer quase que imediatamente todos os fatos ocorridos através o mundo; os pronunciamentos e decisões de chefes de estado e outros responsáveis por nossas condições de vida sócio-econômico-cultural, particularmente os de grandes potências sobretudo bélicas, chegam-nos praticamente no mesmo instante – há alguns anos tivemos até mesmo a oportunidade de assistir a uma guerra pela televisão…

Sabemos contudo que, na verdade, em grande parte, só tomamos conhecimento do que interessa a essas tais potências; sabemos que aqui em nosso país poucas famílias detêm os meios de difusão em grande escala, os quais trabalham, de um modo geral, sempre em conformidade com os interesses das oligarquias e das minorias dominantes.

No entanto, há uma grande massa de indivíduos que já despertaram para a necessidade de mudanças drásticas de conceitos e procedimentos, caso queiram se situar na vida e no mundo de forma mais digna e tranqüila.

De uma forma ou de outra, vem-se buscando o entendimento do homem como um ser mais completo e mais rico intimamente, e não apenas simplesmente como uma máquina orgânica dotada de maior ou menor inteligência, preparada unicamente para auferir lucro e prazer a qualquer custo.

Os direitos humanos são hoje mais amplamente conhecidos, assim como melhor entendidos, ou seja, já percebemos mais ou menos claramente que direito adquirido é resultante do dever cumprido…  Compreendemos atualmente de forma um pouco mais profunda a necessidade da implantação da justiça para todos, justiça essa calcada no amoroso conselho do grande homem e mestre Jesus de Nazaré: “fazer aos outros o que desejo que os outros me façam”.

O homem já ergueu bonitas bandeiras, firmou belos propósitos, assinou bons contratos: a bandeira da liberdade, igualdade, fraternidade destacou-se no mundo e tremula até hoje em nossos corações; os propósitos da não proliferação de armas químicas e nucleares soam diariamente em nossos ouvidos; os contratos de preservação da natureza e do meio ambiente abrangem um número cada vez maior de nações…

São inúmeras as leis e estatutos que nos últimos anos vêm beneficiando a humanidade, particularmente no Brasil, onde a injustiça social imperou durante séculos e a desigualdade das condições de vida envergonhava todo cidadão com um mínimo de senso ético-fraterno; exemplos: o estatuto do idoso, do menor, de proteção à mulher, contra discriminação de todo tipo – criaturas essas geralmente abandonadas à própria sorte ou às benesses de uns poucos apiedados de sua situação…

Conta-se ainda com as regulamentações que auxiliam e protegem o pequeno agricultor, a pequena e micro empresa, as instituições beneficentes que atuam sem fins lucrativos…

Mas, o que se destaca particularmente é o despertar da grande maioria das criaturas, da humanidade em geral, para o potencial espiritualista e humanista existente em cada um, a crescente necessidade do desenvolvimento desse potencial, a conscientização de que só mediante esse desenvolvimento construiremos a paz e a harmonia entre os homens.  Em O Livro dos Espíritos (812ª), os amigos espirituais mais esclarecidos nos asseguram que “os homens se entenderão quando praticarem a lei de justiça”.

Tudo isso e muito mais (como diz a canção) ainda tem que ser, em muitos casos, efetivamente implantado e também, em muitos casos, melhorado; outros meios e métodos para a melhoria das condições de vida terrena têm ainda que ser criados.

Porém nós, humanidade, já descobrimos a rota – falta-nos apenas acertar o rumo e singrar sem medo, sabedores dos perigos que nos espreitam, principalmente aqueles que ainda residem em nosso íntimo mas que podemos vencer com a força da nossa vontade e o exercício consciente do nosso livre-arbítrio.

Autoria: Doris Madeira Gandres

Postado por Nilza Garcia, em 11/06/17, na Rede Espirit Book