O brasileiro é antes de tudo um forte. Com a licença de Euclides da Cunha, usamos o mote sobre o sertanejo para todo o povo deste país. Lamento só que nos considerem fracos, idiotas, sonâmbulos. Acham que engolimos tudo, feito peixe cercando anzol para morrer pela boca.

Já nos deixamos pescar o suficiente. Estamos calejados de tanto sofrer. 

Nós, brasileiros, que somos também guaranis, portugueses, espanhóis, holandeses, italianos, árabes, nós sabemos. Vimos como trataram as crianças sírias em Damasco. E no caminho não havia o apóstolo Paulo. Só destruição, as redes sociais e os doutrinadores de plantão. Tantos canalhas em nome da persuasão. Tantos esquemas de corrupção. E para matar um pouco mais a força deste texto, rimas pobres em “ão”.

Vimos todos os refugiados em busca de pão e água, moradia e vida, buscando os becos do Brasil da mesma forma que no fim do século 19 e início do 20, os europeus, árabes e japoneses aportaram aqui atrás de “fazer a América”.  E fizeram. Que grande país poderíamos ter sido!

Não sei se os haitianos, angolanos e venezuelanos têm hoje esta mesma chance. A corrupção transformou nosso chão brasileiro em solo minado. Estamos todos doentes, vítimas desta peste moral que nos reduz a cérebros desidratados. Mas, ainda não morremos e temos ainda liberdade de expressão. Vamos utilizar isso da melhor maneira.

Desanimar? Jamais! Que em 2018 tudo isso possa ser revertido. Dúvida: teremos eleições, mas o que virá com elas? Que cartas teremos na mão para bancar o jogo? Vivendo e aprendendo a jogar, diz a música. Temos que ser mais inteligentes e estar sempre um passo à frente, para atordoar os nossos inimigos.

Guerra é guerra, paz é paz. Para ter paz, precisamos vencer a guerra. Como diziam Augusto Boal e Gian Francesco Guarnieri em “Arena conta Zumbi”: “não podemos ser amigos do mal. Ao mal, vamos dar maldade”. Falaram e disseram, bons e eternos profetas.

Rosana Zaidan
Jornalista do jornal “A Cidade”
Ribeirão Preto, 31/12/17

Nosso comentário: selecionamos hoje a crónica desta grande jornalista por ter sintetizado de uma maneira brilhante o lamaçal em que foi transformado o Brasil, pela maioria dos políticos e governantes deste país. Apesar de tudo isso ser desmascarado, sabendo que muita sujeira ainda permanece oculta, o desequilíbrio social se acentua: salários extravagantes, mordomias e privilégios muito além da normalidade e da realidade brasileira, enquanto o sacrificado povo se debate entre a sobrevivência, a miséria e o abandono.

                Ainda se interrogam muitos sobre a atração pela droga, prostituição, corrupção e marginalidade, embora não seja fator único. Para culminar, a pseudosociedade enfrenta esses obstáculos através da violência policial e militar, como se isso fosse resolver o problema. Se assim fosse, Os Estados Unidos e a Rússia já teriam solucionados seus problemas sociais, o que não aconteceu e nunca vai acontecer.

                Para não me alongar, o que teria “pano para mangas” para muitas páginas, deixarei apenas um alerta e um S.O.S. para que haja uma reestruturação social ampla, de âmbito político e governamental, colocando um basta nas mordomias e elevando o leque salarial das bases, para que o equilíbrio social seja um fato e não uma utopia; absorver toda a marginalidade, incluindo os presidiários em centros sociais de completa regeneração com toda a estrutura adequada. Basta de tratar essas fatias populacionais como “gado” ou “animais” enjaulados em prisões e presídios de segurança máxima como se isso fosse remédio milagroso. Quanto dinheiro jogado pelo ralo para essas instituições falidas. Estamos em pleno século XXI, a era da razão, por excelência. e os homens têm que ser tratados como iguais, independentemente de qualquer fator de diferenciação. Não mais se justificam presídios de qualquer natureza…

                Todavia, nessa fase de transição terá que haver um policiamento mais ostensivo, tanto de dia como de noite, através de um amplo quadro de guardas noturnos, através de homens devidamente preparados e não simplesmente entregar uma arma e um fardamento a quem quer que seja. Essa política de esbanjar dinheiro em bolsas famílias… sem qualquer infraestrutura social é simplesmente jogar dinheiro fora. Então que essa dinheirama mais alguma coisa seja aplicada em empregos de verdade num amplo policiamento noturno, empregando toda essa gente desempregada. E o policiamento diurno também deixa muito a desejar… Lembro-me quando ainda jovem estudante em Luanda (Angola), perto dos exames ia estudar durante a noite para parques e jardins sem qualquer medo, porque os guardas noturnos estavam perto de nós. Não se concebe hoje que durante o dia já seja deficiente e à noite não haja qualquer policiamento, tudo fique completamente abandonado…

                Por outro lado, o setor educacional precisa ser tratado como o fator primordial para o desenvolvimento e futuro de qualquer país e, como tal, deve ser encarado. Escolas em período integral e com professores bem preparados e bem pagos.

Para culminar este conjunto de ideias e diretrizes, o homem precisa libertar-se da longa noite das trevas (Idade Média), do preconceito e da ignorância existencial. O homem que sempre pugnou em saber “de onde veio, porque veio e para onde iria após a morte física” e que  atingiu esse conhecimento no dia 18 de Abril de 1857, quando pela primeira vez, Allan Kardec fazia publicar O Livro dos Espíritos, outorgando ao mundo o desvendar desse mistério, amplamente provado e comprovado, inclusive por alguns dos maiores cientistas que já passaram pela Terra e continua por outros atuais, alguns setores políticos, sociais, científicos e religiosos, insistem em ignorar, desmentir ou até esnobar, sem quaisquer fundamentos, essa realidade existencial. Assim como o mundo ficou a ser conhecido por antes e depois de Cristo, após a sua existência, em termos existências o mundo ficaria também a ser conhecido antes e depois de Kardec. O Livro dos Espíritos é o divisor de águas. Por isso, entendo que essa matéria deveria fazer parte do currículo escolar, tal como qualquer outra ciência. Com o diferencial que esse entendimento (bem absorvido) tem um peso maior no equilíbrio social, na harmonia e na paz social e, como tal, no futuro da humanidade.

Não se concebe hoje em dia que se viva como se tudo acabe com a morte física do corpo, seja ela qual for. Que se viva num pressuposto mundo de fantasia em que cada um pode fazer o que bem quiser, sem qualquer punição, (uma vez que a justiça terrena é falha), e tudo fique por isso mesmo, sem vislumbrar que à justiça divina, ninguém escapa.

Enquanto um único homem dormir ao relento numa rua qualquer de qualquer cidade do mundo, o homem estará muito longe de se considerar civilizado, tal como disse Emmanuel (mentor de Chico Xavier). e consta da abertura do meu blog.

Quando esse dia chegar, então, sim, querida Rosana Zaidan, acontecerá, de verdade, o ano da virada. Enquanto isso, todos os anseios não passarão de simples conjeturas…

Alberto Maçorano