Os investigados pela Sevandija, especialmente a ex-prefeita Dárcy Vera, podem voltar para a cadeia esta semana. Mas a grana que eles pegaram está livre em algum lugar. Os bens bloqueados pouco representam diante do que foi desviado. Testemunhos pessoais, confissões, indícios e provas materiais (não faltando um suicídio), mostram que eles não tiveram cerimónias em usufruir o bem público. Porém, diligências de um lado, exageros de outro, protelações e punições pela metade, fazem que as investigações se arrastem e, pelo retrospecto, o processo deve demorar em ser concluído. Se for…

                Politicamente os “sevandijeiros” estão liquidados. A cadeia é apenas punição. Dificilmente se recuperará o dinheiro roubado do povo. A condenação assume caráter saneador, para carimbá-los como indignos de voltarem à vida pública. Mas, repetindo, o dinheiro não volta.

                O que retorna são os velhos escândalos, como a notícia de que houve Caixa 2 na eleição de 2004. Segundo uma denúncia na Lava Jato, Palocci teria pedido ajuda a uma empreiteira para o candidato do PT. Qual é a novidade? Todas as eleições brasileiras usam o Caixa 2. Basta investigar. Mesmo assim, os políticos dirão que tudo foi legal e as contas aprovadas.

                O Brasil está como um carro velho que só pega no tranco. Os mecanismos legais usados até agora contra a corrupção conseguem apurar os delitos, mas não corrigi-los e muito menos impedi-los. Gente pega com a mão na cumbuca, transformada em réu e até presa continua prevaricando enquanto correm os processos.

                Precisamos de um tranco. O risco é fundir o motor da nossa democracia amoral e cair em uma ditadura imoral e corrupta.

Júlio Chiavenato
Jornal “A Cidade”
Ribeirão Preto, 14/05/17
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: sempre sagaz, competentíssimo e profundo conhecimento do grande jornalista Júlio Chiavenato, aqui fica a sua coluna de 14/05/17, para esclarecimento dos mais desavisados.

Alberto Maçorano