Recordo ainda hoje… Na sala de aula, a mestra contou a história do navio Titanic. Tendo como engenheiro naval Thomas Andrews, sua viagem inaugural iniciou na Inglaterra, no dia 10 de abril de 1912. A descrição daquele enorme navio, com capacidade para transportar mais de duas mil pessoas, o luxo da primeira classe, os jantares com orquestra ao vivo, nos atiçou a curiosidade.

A classe ficou silenciosa e atenta.

O navio era considerado inafundável, pelos que o idealizaram, graças à possibilidade de ter até quatro dos seus compartimentos inundados e permanecer flutuando.

Entretanto, a colisão com o enorme iceberg rasgou cinco deles e, em três horas, o navio havia se partido ao meio e naufragado.

Era o quarto dia de navegação e mil e quinhentas pessoas perderam a vida, a maior parte delas ocupantes da terceira classe.

O que nos marcou, de forma indelével, foi o arremate final da mestra. Segunda ela, aquela colossal obra de engenharia marítima fora considerada como algo que nem Deus poderia afundar.

E, para que aqueles homens deixassem de se considerar como deuses, é que o navio fora a pique.

Durante muito tempo, em nossa imaginação infantil, desfilaram as crianças, as mulheres, os tantos homens, toda aquela gente que não pôde ser salva.

Lembramos até dos animais de estimação que estavam a bordo e também morreram.

Se Deus queria dobrar o orgulho dos idealizadores ou de quem se permitira tal comentário, em algum momento, fosse quem fosse, por que promover um desastre em que tantos passageiros perderam a vida?

Mais do que isso, nos perguntávamos: Deus revida o mal? Mas Ele não é infinitamente justo e bom?

A elucidação a essas questões somente nos chegaria, anos mais tarde, quando o contato com uma religião de amor se fez presente em nossa vida.

Então, o pavor daquele Deus vingativo, que assombrara muitas noites da nossa infância, desapareceu como fumaça, levada pelo vento forte.

O desastre fora causado, sim, pelo orgulho dos homens, pela sua imprevidência, que chegara ao ponto de não dispor de botes salva-vidas suficientes para todos os embarcados.

Irresponsabilidade dos que não pensaram nas tantas vidas a bordo; que não pensaram que, num trajeto de quase cinco mil quilômetros, pelo imenso oceano, algo poderia ocorrer.

Sim, desastres existem. Acidentes ocorrem. Sabemos que tudo está delineado dentro da Lei de causa e efeito, exatamente como nos lecionou o Mestre de Nazaré: A cada um será dado segundo as suas obras.

No entanto, a responsabilidade de quem se torna o agente da tragédia não pode ser descartada.

Isso encontra respaldo na advertência crística: Dá conta da tua administração.

E o que se encontra sob nossa administração? A edificação de edifícios e pontes, a saúde dos indivíduos, a educação, vidas humanas?

Pensemos nisso e, longe de culpar a Divindade por esse ou aquele acontecimento infeliz, verifiquemos se, pela nossa correta ação, não poderia ter sido evitada certa catástrofe, determinado acidente absurdo.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita

Postado por Ana Maria Teodoro Massuci, em 07/07/16, na rede Espirit Book.