Mais uma joia do governo brasileiro em prol da já combalida educação que é oferecida por aqui: o MEC – Ministério da Educação, eliminou a obrigatoriedade do estudo da Literatura Portuguesa na Nova Base Nacional Curricular Comum,que deve ser colocada em prática a partir da Junho próximo. A nova pérola não é aprovada por educadores, pois significa mais um golpe, mais um retrocesso no ensino de qualidade bem aquém do que o esperado e merecido pelos cidadãos deste nosso Brasil, cada vez mais corroído pela corrupção e pela impunidade. Autores como Luís Vaz de Camões, Gil Vicente, Fernando Pessoa, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Almeida Garret ou José Saramago, deixam de ser obrigatórios. E no Brasil, se não é obrigatório, não precisa mais ser lembrado. () não podemos negar a importância da literatura portuguesa na memória e na vivência dos brasileiros. Temos grandes escritores brasileiros porque o passado, o primórdio da nossa literatura é a literatura portuguesa. Como, então apagá-la de nossa memória?

Coluna do leitor do jornal “A Cidade”
Luiz Carlos Amorim
Escritor e editor
Ribeirão Preto, 30/03/16

 

Nosso comentário: meu caro colega Luiz Carlos Amorim, é caso para se dizer: “Quo Vadis Brasil”? Para onde caminhas Brasil? Não bastassem os desmandos e desvarios políticos e administrativos onde impera o reino da corrupção, pois, só um cego não enxerga a catástrofe que estamos vivenciando neste “pobre Brasil”: corruptos avaliando corruptos. Invadindo agora os domínios culturais, os alicerces de uma nação. Queiram ou não queiram, a literatura portuguesa é riquíssima, de um valor incalculável. Os Lusíadas, de Camões, são um “monumento literário”, inigualável em qualquer outra literatura mundial e que deveria ser obrigatório o seu estudo. Sem mais comentários, aqui vão os três primeiros versos do Canto I. Será que 90% dos professores brasileiros de português saberão interpretá-los?

I

As armas e os barões assinalados,

Que da ocidental praia lusitana,

Por mares nunca dantes navegados,

Passaram ainda além da Taprobana,

E em perigos e guerras esforçados

Mais do que prometia a força humana,

E entre gente remota edificaram

Novo reino que tanto sublimaram

II

E também as memórias gloriosas

Daqueles reis que foram dilatando

A Fé, o Império, e as terras viciosas

De África e da Ásia andaram devastando;

E aqueles que por obras valerosas

Se vão da lei da morte libertando

– Cantando espalharei por toda a parte,

Se a tanto me ajudar o engenho e a arte.

III

Cessem do sábio grego e do troianao

As navegações grandes que fizeram;

Cale-se de Alexandre e de Trajano

A fama das vitórias que tiveram,

Que eu canto o peito ilustre lusitano,

A quem Netuno e Marte obedeceram;

Cesse tudo o que a musa antiga canta,

Que outro valor mais alto se alevanta.

 

Alberto Maçorano