O cidadão leu, viu e ouviu os fatos que afastaram da Câmara nove vereadores, flagrados recebendo envelopes que segundo a Polícia Federal estavam recheados de dinheiro.

Porém, os distintos estão na televisão, pedindo voto para continuarem na vida pública. Se receberam propinas, nomearam funcionários em troca de apoio à alcaidessa, como podem agir como se nada aconteceu?

                Podem. Aparentemente poucos percebem a picardia de um sistema que, em nome da justiça e da democracia, permite que pessoas pegas em flagrante desonestidade continuem a zombar dos direitos dos que pagam impostos que são usados por estes mesmos charlatães para prosseguirem a roubar o dinheiro público e a conspurcar os cargos que ocupam.

                Por seu lado, o sistema se encouraça para não ser analisado a fundo, pois no capitalismo neoliberal a máquina pública não funciona sem corrupção e quem negocia com o governo não é anjo. Nem os eleitores que, apesar das evidências e dos fatos reelegem figuras como Walter Gomes e Cícero, entre outros. A democracia brasileira não tem antídotos contra a patifaria política, que se ramifica por toda a sociedade.

                A “classe política” está desprestigiada e os jovens não se interessam pelas eleições. Dizem que não adianta votar, pois no poder todos prevaricam. Os fatos de Ribeirão Preto reforçam essa descrença na política, por incrível que pareça, favorecendo os mais suspeitos de corrupção.

                Não há o que fazer, a não ser constatar que é um acinte, uma vergonha, ver gente “premiada” com envelopes distribuídos nos cafezinhos continuar a pedir votos com a mesma cara de pau.

Júlio Chiavenato  
Ribeirão Preto, 20/09/16 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: pois é senhor Chiavenato, como pode um sistema governativo não possuir dispositivos que lhe permitam dispensar os serviços de funcionários pegos em flagrante delito e continuem candidatos. Parece mentira, mas é a realidade. E que triste realidade!… Até quando, até quando!…

Alberto Maçorano