Em 21 de Novembro de 2014, Ricardo Semler (autor de “Virando a própria mesa”) escreveu na “Folha de S. Paulo”, que “nunca se roubou tão pouco” no Brasil, como agora. Confirmou o que já dizia em 1988: a corrupção sempre correu solta e foi mais grave antes que depois do PT. Não tira a culpa do petismo, mas é um fato que a imprensa esconde e a classe média não sabe ou finge a ignorância seletiva que a caracteriza.

Ele afirma que, desde 1970, nunca a sua empresa conseguiu vender para a Petrobrás, porque seus diretores exigiam propinas. Os franceses chamavam os brasileiros de “cochons des dix pour cent”, os porquinhos que cobravam 10% por fora sobre a importação de petróleo em décadas passadas.

A “novidade” é que antes do PT muito mais dinheiro furtado foi mandado para o exterior. Semler denuncia que, de 1970 a 1990, desviaram para os paraísos fiscais R$ 1 trilhão, “cem vezes mais alto que o caso Petrobrás”. Mas quem desviou era aliada da Arena dos militares e, depois, dessa turma que está no poder, liderada por tucanos e peemdebistas.

Semler é filiado ao PSDB, foi vice-presidente da Fiesp e é um dos empreendedores mais respeitados do mundo. Sua empresa foi pioneira na indústria pesada naval. Está longe de ser simpático ao PT.

Porquê lembrá-lo? Porque é um homem de dentro do sistema que encara a verdade e confronta a própria classe, vingativa por excelência. Mais: porque ontem começou uma “nova era” no Brasil: a reforma trabalhista retrocede o país a antes de 1930. A perda de direitos dos trabalhadores anula quase cem anos de lutas – e tenta convencer a população de que é o caminho da modernidade.

Vivemos no país da mentira para perpetuar a dominação de classes.

chiavenato@jornalacidade.com.br
Ribeirão Preto, 27/04/17

 

 

Nosso comentário: como sempre, amigo Chiavenato, o conhecimento e a competência dão o ar da sua graça… É pena que a “geração perdida” de patricinhas e mauricinhos não tenha o conhecimento, a capacidade e a competência dos ancestrais, mas, perdidos no infinito existencial, dão-se ao “luxo” de serem arrogantes, o suficiente, para vomitarem toda a verborreia que lhes vai na alma, calcada no vazio do conhecimento, da intolerância, da radicalização de ideias e pensamentos, atrelados à locomotiva da mídia incompetente, sem ética e dignidade, como se fossem os arautos da verdade.

                E assim, colocam no mesmo saco, marginais, ladrões, corruptos e canalhas de toda a espécie, junto com inocentes, justos, dignos e honestos. Refiro-me basicamente ao mártir Lula, Dilma e o PT, acusados aleatoriamente por toda a hecatombe que desabou no Brasil, provocada intencionalmente pelos verdadeiros corruptos, como se fossem os únicos políticos que administraram o Brasil, seguindo religiosamente e escrupulosamente os idiotas que inicialmente lograram vomitar na mídia as primeiras mentiras. Gerou uma bola de neve, e hoje consideram-se verdades toda a boataria que circunda as cabeças dessas entidades, quando 99% dos verdadeiros ladrões e corruptos continuam leves e soltos e até dirigindo este mártir Brasil.

                É muita areia… para a nossa camioneta.

Por isso, a sua crónica de hoje foi um tiro certeiro nessa tropa descontrolada, incompetente e, pior que tudo, cheia de arrogância e vaidade descontroladas. Lembra-se das “cuspidas”? Tanta celeuma contra um homem de bem, e agora deviam “esfregar” esta sua crónica nos miolos desses pseudo-santos e inocentes… Parabéns, mesmo, caro Chiavenato, pela magistral aula de bom senso e discernimento.

 

Alberto Maçorano