As obras executadas em sessões mediúnicas abertas ganham assinatura de artistas plásticos como Van Gogh, Picasso, Portinari e Monet. O material é leiloado e a renda é revertida para causas sociais de centros espíritas

Ao som de música clássica surgem as primeiras cores sobre as telas estendidas em uma mesa. Cerca de 350 pessoas observam impressionadas a feitura de dois quadros confeccionados simultaneamente. Em menos de vinte minutos, estão prontas duas telas inéditas com assinatura de Pierre-Auguste Renoir, pintor francês impressionista que morreu em 1919.

Trata-se de uma sessão mediúnica realizada pelo médium baiano Florêncio Anton, 43, na última segunda-feira, 24, no centro espírita Casa da Caridade Dr. Adolph Fritz. A sessão resultou na pintura de nove obras que teriam sido realizadas por espíritos de artistas plásticos famosos. Todos os quadros seguem para leilão e o dinheiro é revertido para ações sociais.

Conhecida como psicopictografia, a manifestação se assemelha à psicografia, onde, segundo a doutrina, espíritos se comunicam por meio de cartas com pessoas vivas. “Não se trata de reprodução, são quadros originais. Os espíritos já fizeram mais de 35 mil telas pelo meu intermédio nas mais diversas condições, inclusive contrariando aspectos metodológicos de confecção de obras de arte”, explica Florêncio. Graduado em Pedagogia, Psicologia e Enfermagem, ele explica que pessoalmente não domina nenhuma técnica de pintura e não tem interesse pelas artes plásticas.

Durante sessão mediúnica acompanhada pelo jornal O POVO, o médium utilizava as próprias mãos, de pincéis de tipos variados e lenços. Em questão de minutos surgiam as obras com assinatura e estilo similar ao do artista referenciado.

O arquiteto Diego Zaranza, 33, já tentou arrematar algumas vezes os quadros, mas nunca conseguiu. “A psicopictografia foi minha porta de entrada também para o espiritismo. Eu conheci em 2011, a convite de uma amigo. Relutei porque eu já tinha estudado sobre arte, eu não queria ir para criticar, estava com o pé atrás e acreditava ser algum tipo charlatanismo”, conta.

A opinião mudou quando participou de uma das sessões e, segundo ele, viu as particularidades do processo. “A pessoa usa tinta óleo e as cores não se misturam. A velocidade com que são feitos os quadros seguindo a tendência do pintor em questão me fez perceber que tem algo aí. Comecei a estudar”, conta.

Além de Renoir, foram feitas telas inéditas com assinaturas de Van Gogh, Camille Pissarro, Claude Monet, Picasso, Raimundo Cela e Carybé. Todas foram arrematadas no leilão na Casa da Caridade. “Como a mediunidade no espiritismo é gratuita, o médium não pode levar nenhuma vantagem. Então os quadros são leiloados e a renda é partida entre as duas instituições que fazem o evento”, explica Roberto Barbosa, conselheiro da Casa da Caridade.

Questionado sobre as críticas de uma possível apropriação indevida, o médium comenta: “Os espíritos explicam que se eles reproduzissem obras que fizeram quando estavam aqui (vivos) muito possivelmente a crítica materialista e os céticos iriam dizer que eu era um copista ou que eu seria um estelionatário”, reflete Florêncio.

Créditos: Jornal O Povo

Postado por Ana Maria Teodoro Massuci, em 18/02/17, na Rede Espirit Book