Cada eleição é uma oportunidade perdida ou o retrato da realidade brasileira?

Depende. Quase sempre nem há oportunidade, os candidatos são tão ruins que só se espera o pior. Às vezes, aparece uma novidade. Vai ver, a novidade é obsoleta e está superada pelas condições objetivas. Assim, as eleições refletem o momento político, embora não seja o retrato fiel dos brasileiros.

                As eleições municipais poderiam trazer novos modelos de governo que possibilitassem a participação real do povo nas políticas públicas.

                Mas os prefeitos e vereadores, que deveriam estar em contato direto com a população, assim que eleitos isolam-se, cuidam da “carreira” e boa parte forma verdadeiras quadrilhas, como em Ribeirão Preto.

                Existem condições para novos métodos administrativos e políticos em nossa cidade. Na Saúde, por exemplo, é possível aplicar soluções rápidas a partir da estrutura existente e do SUS. Há uma base consolidada e as verbas podem ser mais bem aproveitadas. Em Ribeirão Preto a saúde conta com equipes capazes de realizar bom trabalho. É possível, ainda, a construção de novas unidades de atendimento e ampliar programas específicos já existentes. No entanto, quase tudo se perde entre licitações fraudulentas canceladas pela justiça e o desvio e mau uso do dinheiro enviado pela União e não repassado como determina a lei.

                O Brasil poderia mudar a partir dos municípios, se os políticos fossem honestos, criativos e se conscientizassem que nossas mais de quinhentas cidades são potencialmente capazes de experiências adequadas para servirem de modelos para um novo Brasil. Mas…

Júlio Chiavenato
Ribeirão Preto, 02/10/16
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: mas…, realmente não será nada fácil eliminar o “vírus” da corrupção e do tão conhecido e adorado “jeitinho brasileiro”, enraizado no DNA de muitas pessoas. Enquanto esse vírus não for extirpado, seremos impelidos a conviver lado a lado, com os elementos nocivos e perniciosos da política brasileira, porque o judiciário ainda não funciona plenamente, ou seja, ainda não funciona com total imparcialidade.

                Não tive tempo de responder à crónica acima mencionada, por absoluta falta de tempo, mas veio mesmo a calhar para o 2º turno porque se enquadra no mesmo estilo. Os vencedores são eleitos pelos eleitores. Por isso não adianta atribuir-lhes desculpas quando não governam em harmonia e equilíbrio. Portanto o eleitor será sempre o principal responsável porque é só ele que determina o seu voto. Capriche na votação do próximo domingo e, mais uma vez, parabéns ao senhor Chiavenato por conseguir uma síntese tão apropriada e envolvente da situação crítica que assola o Brasil da atualidade.

Alberto Maçorano