Nesta quinta-feira, dia 22, completa uma semana da morte de Domingos Montagner. O astro de Velho Chico se afogou no rio São Francisco após nadar, com Camila Pitanga, em uma área propensa a correntezas.O trágico e fatal acidente mobilizou muitas pessoas que conviveram com ele, mas também chamou a atenção, de maneira errada, para a atriz que acompanhava o amigo no momento que tirou sua vida.

E para mostrar compaixão, Maria Ribeiro escreveu uma coluna no O Globo para falar de Domingos, mas exaltando Camila, pedindo para ser amiga dela, ainda mais neste momento triste e traumático. No texto, ela explica o que estava fazendo no exato momento em que ficou sabendo da notícia ruim:

Eu tava em Portugal, Camila. E mesmo que eu estivesse aqui. Não somos amigas, e também, mesmo que fôssemos… Às vezes, só a mão do tempo, e também a do seu marido, da sua filha, e daquelas cinco pessoas sobre as quais deitamos a cabeça e o peso dos dias que não acabam. Que tristeza, companheira. Que tristeza. Domingos era um ser que não acabava nunca, e não é à toa que seu nome próprio era também um plural, e também um gerúndio, uma gramática, um “Dicionário Houaiss” daqueles gigantes e que quase não existem mais. Gerúndios continuam, Camila. Gerúndios não terminam a ação. Não têm ponto final. Seguem existindo. São reticentes e donos do tempo.

Ela ainda continua:

Aliás, pra mim, Domingos está logo ali. Com você na novela, no cinema com a Ingrid, no filme novo do Daniel Rezende, dançando com a Luciana, fumando charuto com o Ricardo, soltando fogo no circo que manteve firme dentro de si. Galãs palhaços não morrem. Nada de vida real ou noticiário, nada de lamento ou música triste. E essa foi a parte boa de não estar no Brasil. 

Maria ainda tentou descrever sua tristeza a qual compartilhou com o marido, Caio Blat, e a amiga, Carolina Dieckmann:

Quando soube de tudo, jantando dentro de um antigo convento em Lisboa e depois de horas com o celular sem bateria, saí pra chorar e dar dois telefonemas — para Caio e Carol, companheiros de Domingos na novela “Joia rara” —, mas já havia decidido não ler mais nada, e não me render ao lado B de uma partida dessas, que sempre acabam sujeitas a reportagens infinitas, normalmente sob a linha tênue que separa homenagens de espetacularização.

Por fim, ressaltou que o texto era para homenagear a atriz:

E agora você passou por tudo isso, e eu queria dizer que, ao lado da imensa dor de termos perdido artista tão especial e — mais grave e importante — pessoa tão especial, reganhamos você, e isso não pode ser deixado de lado. Domingos teve o privilégio da tua parceria, da tua mão estendida, do teu riso aberto, da tua inteireza, e, principalmente, da tua companhia. Nós, na plateia, também temos: um viva pra você, Camila. Obrigada por estar aqui.

Nosso comentário: querida Maria, não sei se você algum dia irá ler esta minha resposta à sua elegante e bem delineada crónica, homenageando Camila Pitanga. Não nos conhecemos, Maria, mas, não poderia deixar de admirar as suas palavras tão bonitas como reflexo de tantas Marias deste Brasil, mas, ao mesmo tempo, dar o tom de equilíbrio ao “drama” vivenciado por Camila Pitanga. O seu texto é racional? Sim. Terá fundamento a sua dramatização? Não. Não obstante, você não é culpada de nada. Você é apenas o reflexo do condicionalismo da sociedade em que vivemos. Pensando que tudo acontece ao sabor das circunstâncias e que morreu, acabou tudo. 

Não é por aí, Maria. As coisas não acontecem por acaso, tudo tem uma razão de ser, obedecendo a uma lei de causa e efeito. Por isso, não podemos, nem devemos ficar tão tristes com esses acontecimentos, mas, tão somente retirar os seus valiosos ensinamentos. Para que os fatos se materializem são necessárias circunstâncias para que eles aconteçam. Foi, portanto necessário, que se vivenciasse essa situação momentânea, para que Domingos partisse para a pátria espiritual na hora prevista e fosse você a protagonista desse “drama”. 

Por isso, a minha reclamação: é imperioso que o espiritismo seja estudado nas escolas e em todos os locais de ensino para que esta filosofia existencialista dê uma outra tonalidade, o verdadeiro sentido ao nosso viver, dizendo-nos concretamente: de onde viemos, porque viemos e para onde iremos após o nosso desencarne. Evitar este ensinamento, porque o Brasil, estupidamente é um país laico, e ter medo de constranger as demais seitas religiosas, é um contra senso, que condiciona as mentes mais sãs e evoluídas, obstruindo a lei natural do progresso. É dar sequência a uma vida de mentirinha, de faz de conta, impulsionando motivações contraditórios no imenso caudal de princípios animalescos. 

Com o temor de ferir susceptibilidades, a sociedade caminha sem leme, sem um rumo de princípios éticos, morais, religiosos e fundamentos existencialistas, num redemoinho interminável da estupidez e do preconceito. 

Assim, jamais haverá progresso mas, um retrocesso constante. Portanto, não nos admiremos das constantes anomalias.

Alberto Maçorano

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