Qual é a diferença básica entre o crime organizado e a quadrilha de corruptos que destrói nossas reservas financeiras, éticas e morais? Neste sete de Setembro, nos 195 anos da Independência, esta pergunta já tem pelo menos uma resposta. 

O crime organizado trabalha com alarde, explosivos e alta visibilidade e risco. Já a quadrilha de corruptos dos mais diversos departamentos e competências rouba na mão grande, com sutileza de “malandro federal”, como diz o verso do samba: a gente nem percebe.

Talvez, por isso mesmo, o País ficou estarrecido diante da visão concreta do “bunker” improvisado no apartamento “emprestado” ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, na Bahia. Malas e caixas de dinheiro escondidos em uma sala modesta. Mais de 50 milhões de reais, tirados das crianças que não têm creches, dos hospitais que não têm macas, dos postos de saúde que não têm médicos suficientes, das empresas produtivas que poderiam criar vagas de empregos.

Somos ultrajados e agredidos moralmente, todos os dias, por tantos escândalos financeiros. Poderíamos ser uma potência em pesquisa, educação e agricultura. Talento e inteligência há de sobra. Temos muita terra em que, se plantando tudo dá. Só não temos capacidade de resistir aos vergonhosos delitos que nos fazem de marionetes nas mãos dos espoliadores.

Quanto aos criminosos organizados, acabam de efetuar mais um ataque na região de Ribeirão Preto, com a explosão de um carro forte. Felizmente, sem mortes desta vez. Prendê-los é uma questão de tempo. Será muito mais simples do que punir os parasitas do poder. E sem isso, jamais seremos independentes.

Editorial do Jornal A Cidade
Ribeirão Preto, 07/09/17

Nosso comentário: ótima crónica. Porém, não dá alternativas de soluções, muito mais importante do que simples narrações dos fatos. No final evidencia o quesito de “prendê-los”, como se isso fosse simples solução. Não me cansarei de “pregar no deserto”: só através da violência de ambas as partes, jamais chegaremos a lugar algum. Isso de ser um país laico com feriados católicos não lembra nem ao “diabo” … Isso é simples balela, papo furado. Uma sociedade séria não se pode excluir de orientar e transmitir ensinamentos valiosos aos seus cidadãos. Da mesma maneira que fomenta cursos de formação profissional nos mais variados campos do saber, também deveria fomentar formação académica existencialista, fundamentada em princípios éticos e morais. Nem os animais têm existência aleatória, quanto mais os humanos. Não existimos por acaso e a vida não se extingue com a morte física do corpo.

A atual juventude vem sendo educada sem quaisquer princípios éticos, morais e existenciais, há um bom número de anos. A atual sociedade é fruto dessa alienação. Estamos colhendo os frutos do vazio, do supérfluo, da vaidade, da arrogância e, para culminar, da marginalidade.

Assim, jamais iremos aportar a um porto de abrigo. Enquanto essa “ignorância política e administrativa” persistir, os resultados serão sempre aqueles apontados na crónica deste editorial.

Alberto Maçorano

 

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