Não temos nem duzentos anos de emancipação e já fomos saqueados de todas as formas. Pelos colonizadores portugueses, tão líricos e afetuosos. Pelos imperialistas ingleses, tão fleumáticos e vorazes. Pelos síndicos norte-americanos, tão espertos e pragmáticos.

Foi um caminho penoso, apesar de tantas riquezas. Erguemos igrejas de ouro em Portugal. Ladrilhamos palácios europeus com pedras preciosas.

                Exibimos nossas reservas minerais, nossa natureza diversificada, além de nosso território amazónico exuberante. Pulmão do mundo. Vasto mundo.

                Fauna única, de pássaros, plumas e cantos.

                População sofrida de homens e mulheres de bem. Gente bonita. Brancos, negros, pardos, índios. Miscigenados, a imensa maioria, nosso povo.

                Hoje é dia de dizer não. Não há corrupção, à sangria dos nossos cofres. À Ganância e à mentira.

                Também é dia de dizer sim: ao trabalho, ao esforço, ao suor e às lágrimas de nossos irmãos. Bravos filhos de uma mãe gentil. Já raiou a liberdade…

                E, principalmente, neste sete de Setembro, é dia de dizer: basta! Basta aos vilipêndios e malfeitores que nos traem, humilham e empobrecem. Ao lucro perverso de poucos em detrimento do prejuízo de todos. Chega de rapina. De desfaçatez. De fraudes, golpes baixos, desvios de dinheiro público em Ribeirão Preto, no estado, no país. Queremos que no Universo, entre as nações, resplandeça a mãe gentil do Brasil.

Editorial do jornal A Cidade 
Ribeirão Preto, 07/09/16

 

Nosso comentário: meu caro jornalista do editorial deste dia especial do sete de setembro, dedicado à independência do Brasil: o texto em síntese pode considerar-se muito bem elaborado, de fundo patriótico, enaltecendo as qualidades físicas do território e suas atuais gentes, mas apontando o dedo em riste na camarilha política, que tem sangrado o Brasil de Norte a Sul, de Este a Oeste. Morando há 25 anos neste país, não me tinha apercebido ainda da dimensão corruptiva que grassa no Brasil desde eras primícias.

                Só não concordo quando diz que “fomos saqueados” pelos colonizadores portugueses. Em primeiro lugar, o senhor não pode considerar-se saqueado porque, simplesmente o Brasil não existia como país, tão pouco como nação. Simplesmente existiam tribos indígenas, sem constituírem nada parecido com país. Portanto, ninguém pode saquear aquilo que não existe. As colonizações de outrora não obedeciam a saques, em tese, embora a inglesa e a espanhola estivessem mais vocacionadas para essa finalidade.

                A colonização portuguesa nunca primou pelo saque. Se levou riqueza daqui, foi sempre através de acordos e trocas comerciais. Essa foi sempre a característica da colonização portuguesa. Não quer dizer que fosse tudo um mar de rosas, mas obedeceu a um processo histórico, que é irreversível. E como corolário dessa atuação, poucos historiadores sabem, muito menos o comum dos mortais, que a cidade chinesa denominada “Macau”, foi administrada por alguns séculos pelos portugueses, não como colónia ou conquista portuguesa, simplesmente foi oferecida aos portugueses naquela época, pela ajuda oferecida pelos navegadores portugueses para preservar os portos chineses da pirataria e dos corsários ingleses. Portanto, acabou sendo uma atitude incorreta dos chineses quando reivindicaram as cidades de Macau e Hong Kong (colónia inglesa), em igualdade de circunstâncias. Tomaram de volta aquilo que tinham ofertado em época remota. Enfim, detalhes da história…

 Alberto Maçorano

 

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