Jornal francês diz que empresário brasileiro subornou cartola para escolher Rio como sede da Olimpíada

O jornal francês Le Monde revela nesta sexta-feira a suspeita de suborno por parte de um empresário brasileiro ao filho de um influente dirigente do Comitê Olímpico Internacional (COI) dias antes da eleição para a sede dos Jogos de 2016.

O Rio de Janeiro foi escolhido em 2 de outubro de 2009 como responsável por organizar Olimpíada e Paralimpíada em pleito no qual ganhou de Chicago, Madri e Tóquio.

De acordo com Le Monde, três dias antes da eleição, o bilionário Arthur Cesar de Menezes Soares Filho, conhecido como “Rei Arthur”, entregou US$ 1,5 milhão a Papa Massata Diack, filho de Lamine Diack, então presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) e membro do comitê executivo do COI.

O caso foi descoberto após investigações da promotoria financeira francesa contra Lamine Diack que começaram em dezembro de 2015 por suspeita de receber subornos para não revelar casos de doping na federação de atletismo.

O jornal explica que o possível suborno foi consumado em 29 de setembro através da transferência bancária do Matlock Capital Group, domiciliado nas Ilhas Virgens Britânicos e que tem Arthur Soares como acionista, para a Pamodzi Consulting, companhia de Massata Diack baseada em Dakar, capital do Senegal.

Para os promotores, a Justiça francessa possui “elementos concretos que questionam a integridade do processo de eleição” dos Jogos Olímpicos de 2016.

Ao diário francês, o ex-diretor de comunicação da Rio 2016, Mario Andrada, chamou a acusação de “ficção olímpica”: “A eleição foi clara: 66 votes contra 32 (para Madri, que chegou à rodada final) Foi uma vitória clara. Nós temos quase 200% de certeza que nós não fizemos nada fora das regras”.

“Rei Arthur” está nas manchetes da imprensa brasileira por sua amizade com Sergio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro e hoje preso por corrupção. O Grupo Facility, do qual Arthur Soares era proprietário, tinha vários contratos com o governo estadual (total R$ 2,8 bilhões) para mão-de-obra terceirizada e foi vendido em 2014.

Nosso comentário: com todos os cenários de corrupção que se nos deparam quotidianamente, não é de estranhar que isso tenha acontecido. Aliás, é o mais provável. Que seja tirado a limpo, para que coisas desse tipo sejam banidas para sempre, sobretudo quando se trata de um evento desportivo, em que a ética e o bom censo, por excelência deveriam prevalecer.

Alberto Maçorano

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