A ciência tem provado que existem dimensões da vida que não podem ser captadas por mente puramente racional. Vale dizer: a razão nem sempre tem razão. Neste caso – se a mente racional não capta – como é feita, então, a captação? Para os que acreditam em algo superior, em primeiro lugar vem a fé. Sorën Kiergaard chega, inclusive, a situar a fé ao lado da razão, quando sintetiza: “onde termina a razão exatamente aí localiza-se a fé”. Dizem, até, que a fé não é negação da razão. Nem que a razão seja negação da fé porque – na análise profunda que se faça – a razão manda crer. Num plano mais elevado que a razão – mas abaixo da fé – encontra-se a intuição, faculdade que gosto de definir sempre como sendo o raciocínio da alma. Além de poder dizer que a intuição também é a caixa preta do conhecimento. A história – a partir da revolução francesa de 1789 – entronizou a razão, que dominou a linha de pensamento do mundo até à queda do muro de Berlim, em 1989. A partir daí, nós passamos a viver tempos de intuição, também o mais rápido acesso que o homem tem ao real. Intuição – uma centelha que chega antes que o pensamento – tem sido, ao longo dos tempos, mais útil aos animais do que a razão tem sido útil aos homens. Estes, entretanto, começamos a – apeados da soberba – nos valer da intuição dos animais, pondo-a a nosso favor, a trabalhar por nós. É preciso observá-la.

            Há outras faculdades da mente que nos levam às dimensões que foram objeto deste comentário. Mas, delas trataremos em outra oportunidade porque não são tão pacíficas, em termos de entendimento. Facultas – faculdade em latim – é poder, para início de conversa.

Vicente Golfeto
golfeto@jornalacidade.com.be
Ribeirão Preto, 27/12/15

 

Nosso comentário: meu caro Golfeto: vc intrometeu-se por um assunto da maior transcendência e profundidade, impossível de ser analisado numa simples crónica como esta. Como tenho dito, interpretar uma sociedade à luz de uma existência é uma coisa, interpretá-la à luz de várias existências ou vidas, é outra completamente diferente. A sua interpretação da “intuição” obviamente, está inserida no contexto uni existencialista, portanto, correto dentro desse pensamento. Todavia, penso ser chegada a hora de mudança desse pensamento retrógrado, ou então, continuaremos vivenciando um mundo de mentirinha, um mundo do faz de conta, que está conduzindo a sociedade para o abismo. A realidade é completamente oposta. Não está em causa, aceitar ou não aceitar, acreditar ou não acreditar. As provas são contundentes e as evidências são óbvias. Só os contestatários de carteirinha teimam em contrariar uma realidade consumada. A reencarnação é um fato. A pluralidade de existências, a sua consequência. Não aceitar essa realidade é o mesmo que não aceitar que o fogo queime ou a água molhe. É imperioso que o espiritismo, como filosofia existencialista, seja estudado nas escolas e em todas as academias de ensino, ou o retrocesso à Idade Média será a fatalidade do nosso destino. Convido-o a ler o texto: “pensamento e mediunidade” de um mentor espiritual, para que possa ter uma apreciação mais concisa em relação à sua crónica em apreço “Intuição”, neste blog.

Alberto Maçorano

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