Internação de Andreas Von Richthofen pode ter sido irregular…

SÃO PAULO — A suspeita de irregularidades na internação psiquiátrica de Andreas Albert Von Richthofen, irmão de Suzane, condenada pelo assassinato dos pais, abriu uma crise na Secretaria Municipal de Saúde desde a noite da última terça-feira, quando O GLOBO revelou o caso, Andreas foi levado ao Hospital Municipal do Campo Limpo por volta das sete horas da manhã de terça-feira pela Polícia Militar, depois que os agentes em patrulhamento o flagraram tentando pular um portão de uma casa na zona sul de São Paulo. Aparentando “distúrbios de comportamento” provocados por “abuso de substâncias ilícitas”, de acordo com o prontuário médico, Andreas recebeu da médica psiquiatra que o avaliou a recomendação para internação na ala psiquiátrica.

Fontes do hospital que acompanharam o procedimento, no entanto, disseram que o rapaz não concordou em ser mantido no local. Para interná-lo, auxiliares de enfermagem tiveram que contê-lo à força. Andreas chegou a tentar se jogar da maca.Andreas Von Richtofen tinha 15 anos quando seus pais foram assassinados.© Marcos Alves Andreas Von Richtofen tinha 15 anos quando seus pais foram assassinados.
Caso tivesse concordado com a internação, por lei, Andreas teria que assinar um termo de consentimento do regime de tratamento. Já internações contra a vontade do próprio paciente são legais desde que um familiar se responsabilize por assinar o termo de internação, com acompanhamento do Ministério Público, ou que um juiz dê uma decisão favorável ao procedimento. Como não havia nenhum parente com Andreas e nenhum juiz foi consultado no caso, a internação efetuada no Hospital do Campo Limpo teria descumprido a legislação e seria irregular.A Secretaria Municipal de Saúde foi consultada sobre o tema e interpelada a mostrar a assinatura de Andreas no termo de consentimento de internação. Como resposta, a assessoria de imprensa do órgão disse apenas que não irá se manifestar sobre o assunto. A casa terapêutica São João de Deus, para onde Andreas foi transferido, também foi interpelada pelo termo, mas os funcionários apenas informaram que a diretora da instituição seria a responsável por passar as informações e que até o fim da tarde desta quarta-feira ela ainda não teria comparecido à unidade. A advogada Maria Aparecida Evangelista, que assessora o tio de Andreas, Miguel Abdalla, afirmou que não se manifestaria e que a família pode vir a se pronunciar em 15 dias.

O caso de Andreas acontece no momento em que a Prefeitura de São Paulo recorre na Justiça pelo direito de fazer com mais facilidade internações compulsórias de usuários de drogas, especialmente daqueles na região da Cracolândia. A gestão Dória considera essa ação uma importante ferramenta para acabar com o fluxo. A autorização chegou a ser dada, mas foi cassada em liminar e o processo acabou extinto pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

Nosso comentário: como a vaidade, a arrogância e a estupidez conseguem andar de mãos dadas com a ignorância? Pois é, esse senhor Dória, com uma arrogância desmedida, que nasceu em berço de ouro, comparando com a trajetória de vida do Lula, evidentemente, não conhece “o pão que o diabo amassou”, para sobreviver, falando do Lula como se conhecesse o que é passar fome… vem com toda a imponência de ditador usando de violência para “acabar com a Cracolândia”, como se tratasse de uma simples dor de cabeça que se cura através de um analgésico. 

Como alguém que se acha tão inteligente e capacitado consegue raciocinar que eliminando a tal da Cracolândia iria ficar do jeito que ele acha, sequer cogitando que se eliminar uma coercivamente aparecerão dez ou vinte e assim sucessivamente. Isso não é apenas um problema fisiológico, mas de psicologia profunda e, como tal, precisa de tratamento psicológico e não repressivo. 

Estamos perante um caso bem evidente: olhem o Andreas, bem sucedido na vida, com um doutorado e esbanjando dinheiro, mas não conseguiu resolver o trauma profundo do seu inconsciente, do assassinato de seus pais, quando tinha apenas quinze anos. Infelizmente, tudo leva a crer que não teve o amparo psicológico indispensável no âmbito familiar que lhe restou e, assim, a ferida que não foi cicatrizada na época, sangrou agora com mais intensidade… 

Não obstante o aspecto social, mas, em outra abrangência, pois a sociedade vigente não tem alternativas nem respostas para tais situações quando analisadas e interpretadas à luz de uma só vida. Isso não corresponde à realidade. Com as devidas exceções, evidentemente, a sociedade apresenta-se com uma vivência de “mentira, ilusória, utópica” e, por isso, sem alternativas viáveis para uma boa parte de doenças, entre elas “os viciados”…

Vem à tona a questão existencialista que nos é ensinada pela doutrina espírita, mas que os pseudo-cientistas e sábios, arrogantemente teimam em ignorar. Enquanto a doutrina espírita, que nos dá as respostas a toda a calamidade social que vivenciamos e o respectivo antídoto, não for adotada em todas as academias de ensino, enquanto não for integrada no currículo escolar e ensinada nas escolas como uma outra qualquer matéria, mas como uma importância superior, no âmbito filosófico existencialista, continuaremos por milénios, num mundo do “faz de conta”, num mundo de ilusões e fantasias. E muitos adoram viver de fantasias… mas, os cânceres continuarão devorando a sociedade…

Alberto Maçorano

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *