Desde o tempo em que se gestava o impeachment da então presidente Dilma Rousseff percebi que, seu apeamento do poder estava sendo armado porque ela não cometeu crime de responsabilidade. Ela teve – no segundo governo – atitudes que levaram o País à atual recessão.Mas continuar buscando delitos que justifiquem seu impedimento é tentar encontrar pêlo em ovo. Dinheiro não está entre seus valores. A pior injustiça – convenhamos – é a praticada pela própria justiça.

Favoravelmente ao que estou afirmando, lembrei-me de fatos da sua gestão que ajudam a abonar o que falo. Foi ela que sancionou a lei da colaboração premiada através da qual o ministério público tem indiciado políticos, empresários e servidores públicos. Foi Dilma também que nomeou Rodrigo Janot, Procurador Geral da República. Ele fez a denúncia do grupo no poder. Ela escolheu para o STF – depois aprovado pelo senado – o jurista Teori Zawaski. Ela também escolheu Edson Fachin para o STF, nome depois aprovado pelo Senado Federal. Ele autorizou a abertura de inquérito contra políticos – de seu partido e de todas as outras legendas – como se tem visto em decorrência do farto noticiário da mídia, tanto a nacional quanto a estrangeira.

Lições de direito romano ensinam que: “contra facta non sunt argumenta”. Traduzindo: contra fatos não há argumentos. Ou – em hipótese absurda – a presidente Dilma Rousseff era uma suicida do ponto de vista político, porque queria encerrar a carreira. É que ela não apenas tinha consciência da lisura de seus atos administrativos – e queria inibir quaisquer tentativas de corrupção – ou ela farejava algo plausível.

Vicente Golfeto  
Jornal A Cidade, Ribeirão Preto, 30/06/17 
golfeto@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: parabéns senhor Vicente Golfeto pela sua clareza e objetividade. Já teceu alguns comentários dando esse tom indiretamente, mas neste, foi superiormente colocada com a sua maestria e clareza em palavras do magistral e contundente golpe de estado que levou ao impeachment de Dilma Rousseff. Também sou seu grande admirador, bem como do Júlio Chiavenato, apesar de comentar mais as do Chiavenato no meu blog: www.albertomacorano.com.br, por absoluta falta de tempo e porque são mais de âmbito político, que apelam à sua difusão e pautam a minha postura de difundir a verdade pela verdade que as entranhas do seu conteúdo contêm de maneira tão límpida e transparente.

Alberto Maçorano