Chorar não adianta. Melhor rir? Cuidado, porque arreganhar os dentes é próprio das hienas. Elas comem carniça. Mas o que os brasileiros engolem politicamente se não a putrefação de uma falsa democracia que protege os bandidos e enriquece corruptos?

Nem chorar, nem rir. Sorrir, com ironia. Como disse Machado de Assis, a ironia é a arma dos fracos. Forte foi Paulo Salim Maluf, enfático ao defender Temer na Comissão de Justiça da Câmara. Ele disse que o presidente é honrado e, esquecendo o pudor, afirmou que se Temer recolheu dinheiro para o partido, nada mais fez do que a obrigação. Referia-se, evidentemente, aos R$ 10 milhões que os empreiteiros deram a Temer para financiar candidatos “amigos”.

Maluf a defender Temer entende-se. Mas afirmar que é correto pegar a grana dos empresários, como ele mesmo confessou ter feito, é muita cara de pau. Ou não? Talvez a certeza da banalidade: no código da politicanalha, roubar, aceitar suborno e vender o voto é normal.

Aliás, Maluf sempre defendeu os “homens bons”. Quando Lula estava no poder houve a famosa foto do aperto de mão na casa de Maluf, ao “avalizar” o ex-presidente, garantindo que ele “é um exemplo de pessoa para todos os brasileiros”.

Nas duas ocasiões Maluf convenceu: Temer safou-se e Dilma foi eleita. Azar dele que não convence a justiça da Suíça e dos Estados Unidos de que é tão honesto quanto Lula e Temer. Como se sabe, se Maluf sair do Brasil será preso, condenado por várias irregularidades na movimentação de contas bancárias suspeitas.

Quando bem sucedidos esses aproveitadores riem como hienas na carne podre. Se pegos, juntam-se, conspiram e fingem chorar lágrimas de crocodilo.

Júlio Chiavenato

Jornal A Cidade, Ribeirão Preto, 16/07/17

chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: elegante profundidade de contexto na politicanalha do atual Brasil, feita pelo grande jornalista Júlio Chiavenato. Só não concordo em englobar Lula na mesma panela. Até concludente prova em contrário, acredito na inocência clara de Lula.

Alberto Maçorano