Ribeirão Preto viveu, nos últimos dias, fatos realmente lamentáveis em função da “guerra urbana” – envolvendo policiais, bandidos e cidadãos comuns – implantada na cidade.A quarta-feira, 21 de Junho de 2017, vai ser tristemente lembrada como, conforme manchete do jornal A Cidade: “O dia em que a violência aterrorizou Ribeirão”. O que acontece aqui, todavia, não é um fato isolado; em todas as pequenas, médias e grandes cidades deste nosso imenso país, diariamente, são registrados casos de violência e atentados contra a propriedade e vida das pessoas. A polícia fica impotente diante de tantas ocorrências e ainda há um agravante: a tolerância do judiciário com esses marginais: a polícia prende e a justiça solta. Vê-se muito os direitos humanos dos bandidos – realmente respeitáveis – mas são ignorados os direitos humanos das vítimas. É preciso, insisto sempre, haver uma reação: não podemos permanecer inertes diante da violência que nos ameaça nas ruas ou em nossas próprias casas; as pessoas de bem precisam se unir em torno de medidas capazes de conter essa “guerra urbana” cada dia mais explícita e menos surda.

Welson Gasparini
Deputado estadual (PSDB) e ex-prefeito de Ribeirão
Ribeirão Preto, 26/06/17

Nosso comentário: embora não o conheça pessoalmente senhor Welson Gasparini, tenho uma grande admiração pelo senhor, sobretudo pelas suas qualidades administrativas ao gerir a prefeitura de Ribeirão. Também na sua vida particular, pelo que me consta é uma pessoa reta, digna, séria e honesta.

Não obstante, não concordo com o senhor em relação aos argumentos que apresenta no seu texto “guerra urbana”, relativamente aos acontecimentos bélicos desta cidade no passado dia 21. Enquanto tivermos governantes com esse tipo de pensamento a situação beligerante não irá mudar, bem pelo contrário, ela acentuar-se-á cada vez mais, como todos constatamos. O assunto é polémico e devia ser tomado a sério para ser discutido amplamente por entidades públicas e sociais responsáveis para uma mudança real desta conturbada sociedade. Para já me disponibilizo a fazer parte de algo nesse sentido. Em virtude de não poder alongar-me pelo condicionalismo jornalístico apenas deixo uma ponderação conhecida por todos mas não colocada em prática: “VIOLÊNCIA GERA VIOLÊNCIA”. Enquanto persistir esta situação bélica entre a “marginalidade” e poder público, mesmo com policiamento ostensivo, jamais veremos uma luz no fundo do túnel. Sabendo disso, por quê persistir numa “guerra” sem fim? Apenas por teimosia e pensamento obsoleto? Estamos no século XXI e devemos agir em consonância. Não podemos dividir a sociedade em “castas”. Ninguém nasceu com o rótulo de bandido, cidadão comum e pessoas de bem. Veja o que pessoas consideradas de bem no meio político, são hoje desmascaradas, concluindo-se serem corruptos e ladrões e também de autênticos marginais de “colarinho branco”. A única solução alternativa terá que passar sempre em analisar a raiz do problema, o cerne da situação que levou pessoas comuns virarem bandidos, marginais, mesmo de colarinho branco, apresentando o único antídoto viável: centros de regeneração social com todas as infraestruturas, abolindo de uma vez por todas qualquer tipo de prisão ou segregação social, única e exclusivamente. Enquanto não se enveredar por esse caminho, continuar-se-á a “malhar em ferro frio”.

 

Alberto Maçorano