Quarta-feira, na falta dos sinos explodiram os foguetes. O que festejavam: a queda de Dilma ou a subida de Temer? Além dos oportunistas, com a derrota de Dilma quem perdeu? Com a vitória de Temer quem ganhou? São perguntas que exigem um mínimo de sensibilidade social para uma resposta adequada. Mas no Brasil dos ladrões engravatados a política se transformou em válvula de escape para as frustações.

                John Donne, poeta inglês contemporâneo de Shakespeare, escreveu que ninguém é uma ilha e “a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do género humano; por isso, não me perguntes por quem os sinos dobram: eles dobram por ti”.

                Ernest Hemingway cita o poema no seu livro sobre a guerra civil espanhola. Depois do livro de Hemingway muitos aproveitaram o poema em prosa de John Donne. Bandas de rock em todo o mundo “cantaram” Donne; até no Brasil houve uma versão “fake”. Poucos entenderam a essência do poema: os sinos dobram por nós.

                Ainda não somos uma nação. Somos um país cuja população ensaia para ser povo. No seu romance “Viva o povo brasileiro”, João Ubaldo Ribeiro tentou explicar como nos formamos. Mas o grande livro para “traduzir” o Brasil é: “O povo brasileiro”, de Darcy Ribeiro. Para entender o que ainda não somos, mas seremos, destaco o trecho em que Darcy fala da chegada dos europeus: “Abre-se com esse encontro um tempo novo, em que nenhuma inocência abrandaria sequer a sanha com que os invasores se lançavam sobre o gentio, prontos a subjugá-los pela honra de Deus e pela prosperidade cristã”.

                Ainda hoje somos “gentios” nas garras dos invasores.

Júlio Chiavenato
Ribeirão Preto, 04/09/16
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: realmente senhor Chiavenato, foguetes ou sinos tanto faz, inclusive, para comemorar a derrota do PT, Lula, Dilma, porque os restantes têm as costas largas… ou a vitória da coalisão, para nos incluirmos, então, na onda da vitória do Temer. Duas comemorações com resultados diametralmente opostos. Com efeito, somos ainda “gentios” nas garras dos invasores.

                Só falta agora um espertinho descobrir que o PT, Lula e Dilma, foram os responsáveis pelas falcatruas de uns tantos “senhores” engravatados, que tiveram esse relâmpago de consciência para enveredar pelo caminho da perdição e da maldade…

Mal eles sabem que a espiritualidade sabe de tudo que nós fazemos ou pensemos. Mas, este conhecimento filosófico existencialista, ainda não é do domínio público, por conta da arrogância, do cinismo, da vaidade, do egoísmo e do preconceito de alguns setores da sociedade.

Por isso, preconizo que, para mais facilmente eliminarmos a maldade na política, é imprescindível saber de onde viemos, por que viemos e para onde iremos após a morte física, ensino esse, que só terá a sua poderosa força, quando for ministrado nas escolas, quando for do domínio público. Aí, sim, acredito que o poder de Deus estabelece a sua influência nas mentes mais retrógradas.

Alberto Maçorano