Em datas significativas, como Finados, se pretendemos cultuar a memória de familiares queridos, transferidos para o Além, elejamos por local ideal a nossa casa. Usemos muitas flores para enfeitar a Vida, no aconchego do lar; nunca para exaltar a morte, na frieza do túmulo. Nossos amados certamente preferem receber nossa mensagem de carinho, pelo correio do coração, sem a selagem fúnebre do cemitério.É bom sentir saudade. Significa que amamos alguém e o amor nos realiza como filhos de Deus. Essência da Vida estende-se, indestrutível, às moradas do Infinito. É a ponte sublime que sustenta, indelével, a comunhão entre a Terra e o Céu…
Certamente Deus inventou a ilusão da morte para que superemos a tendência milenar de aprisionar o amor em círculos fechados de egoísmo familiar.
Não permitamos, assim, que a saudade se converta em motivo de angústia e opressão. Usemos os filtros da confiança e da fé, dulcificando-a com a compreensão de que as ligações afetivas não se encerram na sepultura.
Nossos amados velam por nós, torcem por nós, trabalham por nós, esperando que sejamos firmes e fortes para enfrentar a separação transitória, a fim de que o reencontro mais tarde se dê em bases de vitória sobre as provações humanas, ensejando-nos luminoso porvir.
Nessa evocação sagrada, se formos capazes de orar, contritos e serenos, orvalhando as flores da saudade com a bênção da esperança, sentiremos a presença deles entre nós a nos oferecerem inefáveis perfumes de alegria e paz.

Postado por Ana Maria Teodoro Massuci, em r31/10/16, na Rede Espirit Book.