A condenação de Lula rende muita conversa, contra e a favor. Mas seria bom prestar atenção como a imprensa noticiou o fato.

Todos os jornais (inclusive A Cidade, exceto O Globo) deram em manchete: “Moro condena Lula”. Como assim? Simples, no andar da carruagem brasileira o juiz Sérgio Moro está acima da própria justiça. No entendimento subliminar, subliminal ou mero ato falho da mídia, Lula não foi, ou não devia ser condenado pelos autos, provas, etc., mas pela vontade de um juiz justiceiro.

Isso não inocenta Lula, comprovadamente aproveitador da corrupção nos seus dois mandatos. Mas demonstra como se aplica a justiça no Brasil: se não houver um “batman” no pedaço, nada feito. O caso não é só com o Lula, mas com outros investigados pela Lava Jato, de ambos os espectros ideológicos.

O Brasil segue ritos e respeita mitos. Hasta certo punto… Por exemplo, na votação da reforma trabalhista as senadoras sentaram-se à mesa diretora do Senado, na tentativa de impedirem a votação da norma que permite às grávidas e lactantes trabalharem em ambientes insalubres.

O presidente Eunício Oliveira afirmou que nem na ditadura houve tal “violência”. Ora, a ditadura prendia, arrebentava, matava e fechava o Congresso sem precisar ocupar cadeiras vazias. Porém, muitos analistas acusaram as senadoras de desrespeitarem a democracia e o Senado. Ninguém questionou se as grávidas e lactantes não estavam ameaçadas e desrespeitadas e, menos ainda, se este Senado merece algum respeito.

Duas inversões em dois extremos que se tocam: Moro colocado pela imprensa acima da instituição que representa e a “solidariedade” jornalística a um Senado desmoralizado.

Júlio Chiavenato
Jornal A Cidade, Ribeirão Preto, 14/07/17 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: eis a radiografia exata da atual justiça brasileira que merece ser difundida e refletida pela população para que tenha mais cuidado no ato das votações. Só não concordo com o Chiavenato no item em que diz que o Lula se aproveitou, comprovadamente, nos dois mandatos. Até prova autêntica em contrário, jamais acreditarei que o melhor presidente que o Brasil já teve e um dos maiores expoentes políticos do Brasil se aproveitou ou sequer esteja envolvido em qualquer tipo de corrupção. Não é pelas denúncias espúrias que se devem tirar conclusões precipitadas, mas ter uma sensibilidade aflorada para “ler” nas entrelinhas, no desenvolvimento da sua trajetória pessoal, nas lutas contra a ditadura, etc., etc., É muita “dor de cotovelo” nas máfias abastadas da medíocre sociedade brasileira.

Alberto Maçorano