A vida moderna trouxe uma epidemia a todos nós. Não, não é a dengue, nem a zika, muito menos a chikungunya. É a obesidade.

Pesquisa internacional publicada recentemente alerta: pessoas obesas podem viver até 10 anos a menos.

                Os motivos são inúmeros: doenças cardiovasculares e pulmonares, distúrbios do sono, AVC, diabetes, fertilidade reduzida – todos os problemas potencializados em uma pessoa com obesidade.

                E não são poucos: a estimativa é de serem 600 milhões de obesos em todo o mundo.

                Não bastante, a doença também tem um poder destrutivo silencioso: muitos acreditam que basta “fechar a boca” para vencer esse desafio.

                Engano.

                O principal coquetel contra esta doença reúne conscientização e uma boa dose de apoio – e não vende na farmácia.

                Especialmente alertam: apenas um tratamento multidisciplinar pode ajudar uma pessoa obesa a perder peso. Não se trata apenas de dietas: exige mudança de hábito, atividade física, força de vontade e até mesmo acompanhamento psicológico.

                Uma luta que tem vitórias e derrotas. Que leva tempo. Uma luta que muitos desistem de travar no meio da batalha.

Por isso, infelizmente, se alastra feito uma praga.

 

Editorial do jornal “A Cidade”
Ribeirão Preto, 26/07/16

 

 Nosso comentário: muito oportuno o vosso alerta. Só a título de introdução: há quarenta anos cheguei a pesar 85 kg. Além do peso que me chegou a incomodar, eram os vários problemas de saúde que me atormentavam. Tinha um gravíssimo problema de estômago que não me deixava sentar em um sofá quando acabava de comer. Dor de cabeça todo o santo dia na hora do almoço; uma rinite alérgica que me atormentava de três em três meses, ou seja, na mudança de estações em Portugal e em Angola onde também vivi.

                Embora não houvesse a sensibilização da mídia, como hoje, pairava em mim uma sensação desagradável que foi germinando no meu subconsciente a necessidade de uma mudança. Essa oportunidade surgiu em 1977 em Portugal, ao adquirir e ler um livro que se intitulava: “Macrobiótica, as bases científicas” de Flávio Zanata.

                A impressão que me causou essa leitura foi tão constrangedora perante as evidências da má alimentação a que estamos acostumados, provocando-me um desafio que me levou a experimentar e colocar em prática tais postulados que aí se mencionavam.

                Depois de muitos tropeços pela inabilidade em confeccionar tal alimentação, não desisti e impulsionou-me ainda mais a prosseguir. Num curto espaço de tempo emagreci 25 kg e os problemas de saúde que me afligiam foram desaparecendo, inclusive a tal rinite alérgica. Passados quase quarenta anos, mantenho o mesmo peso e a mudança foi tão positiva que não concebo alimentar-me de outra maneira. Apenas porque brotou em mim a conscientização de uma mudança.

                Fico admirado perante tanta informação que hoje existe sobre os malefícios alimentares e a maioria das pessoas sequer se importa, perante os “deleites” dos sabores e paladares.

                Aonde eu quero chegar e que me deixa ainda mais triste é que essa conscientização não se enquadra nas nossas escolas, além de grande parte dos professores não exibir o perfil exemplar de uma correta alimentação. É dramático ver crianças obesas nas escolas, que tenho a oportunidade de constatar. Além das estatísticas observadas no editorial, aonde iremos ainda parar?

 

Alberto Maçorano