O que mais se repudia neste governo são as reformas, rechaçadas por mais de dois terços da população.

Porém, o que a mídia despreza é o mais importante. Por exemplo, o deputado Nilson Leitão (PSDB) apresentou projetos para reduzir as áreas indígenas e “catalogar” falsos índios e antropólogos que os defendem,além de querer aumentar a jornada de trabalho para 12 horas diárias e 18 dias contínuos, sem descanso. Fosse pouco, pretende que o salário do trabalhador rural possa ser pago em comida e moradia.

Agora, o deputado Valdir Colatto (PMDB) quer que algumas reservas ambientais sejam consideradas áreas de risco, porque elas seriam “focos de doença” e os animais selvagens prejudicam a agricultura, matando lavradores. Na prática, o que ele quer é a liberação da caça nas matas protegidas, sob o pretexto hipotético de que as onças podem matar-nos!

Não é folclore: seus dois projetos neste sentido foram protocolados como PDC 427/2016 e PL 6268/2026. O primeiro anula os efeitos da lista de animais em extinção do Ministério do Meio Ambiente. O outro permite a caça de animais silvestres.

A imprensa brasileira não deu a mínima. Na Europa os jornais criticaram as propostas com destaque negativo.

Acusam, com razão, o governo Temer de ser cúmplice da tentativa da bancada ruralista de tomar terras indígenas, reduzir direitos do trabalhador rural e, por fim, derrubar a legislação ambiental e por em risco animais em extinção. A isto se alia o esforço de Romero Jucá para conseguir permissão para sua filha garimpar ouro na terra dos índios. Tudo, com o silêncio da mídia.

O estrago das reformas pode ser refeito. A agressão ecológica, não.

Júlio Chiavenato (Jornal A Cidade)
Ribeirão Preto, 16/05/17, 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: para ampliar a divulgação de tão importante e seria notícia divulgamos esta crónica do eminente jornalista Júlio Chiavenato, que tanto admiro pela sua competência, conhecimento e seriedade. Como a mídia brasileira seria diferente se a maioria dos jornalistas fosse da mesma índole do senhor Júlio Chiavenato.

Parabéns caro amigo.

 

Alberto Maçorano