Vocês entendem, são tantos acontecimentos, é natural que a grande imprensa esqueça alguns. Como o ministro da Fazenda, Henrique Meireles, ter sido de 20012 a 2016, “consultor” da JBS, do empresário Joesley, recebendo R$ 3,3 milhões por mês. Por extenso: ele ganhou, durante cinco anos, três milhões e trezentos mil reais mensais. Saiu da JBS para ser ministro de Temer.

                Enquanto Meireles foi “consultor” da JBS a empresa recebeu milhões do BNDES. Tanto nos bancos norte-americanos em que trabalhou e nas “consultorias”, o ministro da Fazenda especializou-se em intermediar negócios entre empresários e governos.

                Esqueçamos estes detalhes e a conversa fiada de Temer de que o áudio em que ele orienta Joesley a ir se entender com o deputado Loures é editado. Fiquemos com a filmagem da Polícia Federal, mostrando a mala de dinheiro.

                Temer quer desviar a atenção sobre se o que ouvimos foi realmente o que ele disse. Assim, fica de fora o fato concreto: ele é o mentor da arrecadação de propina e seu homem de confiança, entalado até o pescoço no mar de corrupção, foi flagrado e filmado recebendo a mochila recheada de dinheiro.

                O que Loures pegou foi a primeira parcela de R$ 500 mil, que totalizariam, em 20 anos, cerca de R$ 500 milhões. É isto o que devemos entender: livremos Temer do áudio. Atemo-nos aos fatos: as provas de que Temer distribuiu propinas e aconselhou Joesley a se encontrar com o deputado Rocha Loures, que foi filmado carregando R$ 500 mil, primeira parcela dos R$ 500 milhões.

                Por isso Temer trapaceia: no primeiro pronunciamento pediu apuração rápida pelo STF. Agora sua defesa é protelar e enrolar.

Júlio Chiavenato
Ribeirão Preto, 23/05/17 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: sem comentários. Já está tudo dito pelo grande jornalista Chiavenato. Apenas para conhecimento dos demais interessados.

Alberto Maçorano