A grande manchete de ontem (16/06/17) é o projeto da reforma política que propõe aumentar de R$ 2,18 bi para R$ 3,00 bi a verba para os partidos. É muita desfaçatez dos políticos. Como estamos vendo, ao vivo e em cores, são os partidos a fonte que organiza as propinas e distribui os subornos.

Então, por que lhes dar mais poder com o dinheiro do Estado?

 A explicação é mais cínica do que o descaramento dos políticos: dizem que dessa forma, arrancando mais dinheiro do governo, abririam mão do financiamento privado e eliminariam o Caixa 2. Algum pobre inocente desconhece que o dinheiro arrecadado das Odebrechts, OAS, Joatabeesses, etc., pouco tem a ver com as campanhas eleitorais, mas destina-se, especificamente, a comprar privilégios escusos nas licitações, financiamentos oficiais e outras vantagens ilícitas?

Porém, tanto os políticos como a imprensa discutem seriamente a pretensão dos partidos e debatem argumentos, como se tudo não passasse de um desavergonhado assalto aos cofres públicos

Por outro lado, como reage a população? Quando não ignora ou não embarca em canoas furadas pagas por aquele Pato, paga o pato – ou finge que é moralista e joga nas mãos de Deus o combate aos corruptos.

Foi o que se viu no grande evento religioso no feriado em S. Paulo, que começou com uma oração contra a corrupção. Quem puxou a reza foi a bispa Sónia Hernandez, bilionária, moradora em um tríplex, com direito a helicóptero e seguranças. De onde vem o dinheiro dela? Em 2007 ela foi presa contrabandeando milhares de dólares para os Estados Unidos, uma parte escondida dentro de uma bíblia. Hoje, pede a Deus que acabe com sua fonte de riqueza. Eita Brasil!

Júlio Chiavenato
Jornal A Cidade, Ribeirão Preto, 17/06/17 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: amigo Chiavenato, ainda bem que vc vai trazendo à tona essas imoralidades. Realmente é tamanha imoralidade, tanta sem vergonhice, falta de caráter e de ética, que, às vezes custa acreditar que isso exista. Por isso, não poderia deixar de sublinhar e divulgar este seu valioso trabalho que, mesmo não fazendo muitos estragos, no momento, quem sabe, num futuro próximo possa fazer alertar um bom número de pessoas. Como se diz lá pelo nosso Portugal: “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura!”… Resta-nos aguardar o rumo dos acontecimentos…

 

Alberto Maçorano