Olá. desde criança que me sentia demasiado diferente das outras crianças. Não conseguia ter maldade nem ódio com as pessoas normais.. Até que comecei a ver vultos, espíritos, ouvir vozes pedindo ajuda.. A gritarem pelo meu nome.. Passo a noite a ter pesadelos, adivinhar coisas que vão acontecer. Soube há pouco tempo que tinha a morada aberta… Ando sempre com dores de cabeça. Uma energia quente a sair-me do corpo. Sempre com arrepios. Sonho com demónios… e um dia enervei-me e os meus olhos mudaram de cor… o castanho ficou vermelho… Alguém me consegue explicar isto? Passo metade do ano quase sem dormir, pois, durante a noite espíritos tocam-me, sufocam-me ao ponto de ver a luz a rodear-me… Peço que se alguém sabe algo me consiga explicar. Quem sou eu???

Desculpe a demora na resposta, que se deve a que nós, espíritas, temos todos as nossas profissões, e só nas horas vagas nos dedicamos ao estudo, divulgação e assistência ao próximo no âmbito da nossa crença. A sua mensagem é um exemplo entre muitos que todos os dias cruzam a porta das Associações Espíritas por todo o mundo.

Não é de agora que essas coisas acontecem. A literatura de todas as épocas e de todo o mundo refere casos semelhantes. Os cientistas que só acreditam na matéria teimam que tudo isso são perturbações da mente da pessoa, que tudo é imaginação ou desorganização mental temporária.

E por vezes é. Por isso aconselhamos sempre as pessoas a consultarem um psiquiatra ou um psicólogo clínico, de preferência com conhecimentos de psicologia transpessoal. Essa corrente da psicologia admite que existem inteligências sem corpo. E o que são inteligências sem corpo? Nada mais nada menos do que pessoas como nós, que já viveram na Terra, cujo corpo já desencarnou, mas que estão tão vivas como nós.

Nós chamamos-lhes Espíritos. Os Gregos, ao traduzirem a Bíblia, usaram o termo “daimon” para designar os espíritos, pois “daimon” significa espírito, em Grego. Já o filósofo Sócrates falava da imortalidade da alma e dos “daimon”, dos espíritos, ou génios.

Na tradução do Grego para o Latim, a palavra “Daimon” foi convertida em “demónio”, e ao princípio, no linguajar popular, designava indistintamente os bons e os maus Espíritos. Com o uso, o termo “demónios” passou a designar os maus espíritos.

Ora vejamos esta passagem bíblica: a cura de um menino. LUCAS 9.37-43a

No dia seguinte eles desceram do monte, e uma grande multidão veio se encontrar com Jesus. Aí um homem que estava no meio do povo começou a gritar: – Mestre, peço ao senhor pelo meu filho, o meu único filho! Um espírito mau o agarra, e, de repente, o menino dá um grito e começa a ter convulsões e a espumar pela boca. O espírito o maltrata e não o solta de jeito nenhum. Já pedi aos discípulos do senhor que expulsassem o espírito mau, mas eles não conseguiram. Jesus respondeu: – Gente má e sem fé! Até quando ficarei com vocês? Até quando terei de aguentá-los? Então disse ao homem: – Traga o seu filho aqui. Quando o menino estava chegando, teve um ataque, e o demónio o jogou no chão. Então Jesus deu uma ordem ao espírito mau, curou o menino e o entregou ao pai. E todos ficaram admirados com o grande poder de Deus.

Na nossa opinião, nem sempre casos como o seu (que são de todos os dias e não são para espantar ou ter medo, repetimos), se devem a qualquer perturbação psíquica passageira.

Nós chamamos a esse processo obsessão. A obsessão é a ação negativa, perturbadora, desagradável, de um mau espírito sobre uma pessoa. Não é nada que não se possa resolver. E depende de si resolvê-lo.

O primeiro conselho que lhe damos é que se afaste de negociantes que prometem curas milagrosas por meio de magias, que receitam defumadouros e velas, que mandam as pessoas roubar água benta das igrejas, que vendem chaves para as pessoas usarem ao pescoço e prometem “fechar o cofre”. Há pessoas nessas áreas que são bem intencionadas, mas de um modo geral o objectivo desses procedimentos é extorquir dinheiro a quem se acha apoquentado e não olha a despesas para se ver livre do que o aflige.

Jesus, como se vê no texto acima, tinha autoridade moral para que os maus Espíritos se retirassem de imediato. Não cobrou, jamais, um tostão que fosse, e recomendou aos Apóstolos que fizessem o mesmo, dando de graça o que de graça receberam. Não recorra a esse tipo de negociantes, pois perde o seu dinheiro e fica na mesma.

Se tem uma religião, fale com o sacerdote da sua religião, que não lhe vai cobrar nada e terá melhores resultados de certeza.

O Espiritismo não é uma religião tradicional. Em casos como o seu, fazemos como faziam os Primeiros Cristãos e como Jesus fazia e recomendou fazer: orar e vigiar.

Orar é pedir ajuda a Deus, por palavras suas, com fé e simplicidade.
Vigiar é analisar o seu comportamento, as suas palavras, ações e pensamentos, para que se torne uma pessoa cada vez melhor.

Parecerá pouco, à vista das rezas complicadas dos médiuns-comerciantes, das mezinhas dos magos de pacotilha. Mas é o que o próprio Jesus fazia.

Se for aceitável para si, recomendamos que se dirija a uma associação espírita e apresente o seu caso em particular. As associações espíritas prestam os seus serviços de forma rigorosamente gratuita e sem compromissos, tal como faziam as primeiras comunidades cristãs, que também lidavam com casos como o seu.

Os recursos das associações espíritas em caso de obsessão são:

– o já referido “orar e vigiar”

– o esclarecimento (dos espíritos ignorantes e de quem lhes sofre a influência)

– o passe (transferência de energias, à semelhança da imposição das mãos que Jesus e os Apóstolos faziam)

Tome em atenção que os espíritas não se anunciam nos jornais; que nem todas as associações que ostentam o nome de espíritas o são (há oportunistas em todo o lado); e também que os Centros de Ajuda Espiritual nada têm a ver com Espiritismo.

Não duvide, nem por um instante, de que a cura está ao seu alcance. Jesus o Cristo, a quem chamaram o Grande Médico das Almas, deixou claro que a paz e a felicidade estão ao alcance de todos. Ele curou e mandou curar. Confie em Deus, como Jesus confiava, e estará aí o princípio do fim dos seus padecimentos. Não amaldiçoe também quem lhos causa, pois ninguém é perfeito. Perdoe.

Postado por Ana Maria Teodoro Massuci, em 11/03/16, na Rede Espirit Book

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