Por que fumamos? Durante muito tempo, fomos condicionados ao vício pela poderosa propaganda feita pela máquina do cinema, uma das mais fortes de todos os tempos. Para quem cresceu vendo os filmes das décadas de 1940, 1950 e 1960, o ato de fumar era “vendido” como um exercício de puro charme. E mais poder, inteligência, refinamento intelectual, sensualidade.

                Muito difícil resistir a tanto envolvimento. Se galãs e divas ficavam irresistíveis em imagens preto e branco enevoadas pela fumaça, por que não os pobres mortais da plateia, que, entre suspiros e lágrimas, aspiravam à eternidade das estrelas? Desde crianças, tínhamos os “cigarrinhos de chocolate”. Um assédio perverso da indústria do tabaco. Só os fortes se livravam da tentação de acender um cigarro de verdade. Os mais brutos, sem filtro, claro.

                A claridade da era do cientificismo jogou luzes sobre tanta ignorância. Fumar passou a ser uma sentença de morte anunciada. Morte precoce, provocada pela intoxicação de mais de duzentas substâncias cancerígenas. E esta equação foi para o quadro, para a tela, para a internet, para os livros: “lucro para a indústria do tabaco é igual a doença para a população do mundo”.

                Movimentos contra o consumo de tabaco se espalharam de maneira irreversível. E hoje, fumar é quase um ato de fraqueza e autodestruição. Gente esclarecida sabe que o importante é ter saúde.

Editorial do jornal “A Cidade” 
Ribeirão Preto, 31/05/16

Nosso comentário: finalmente surge um editorial equilibrado e autêntico. Corresponde à mais pura realidade. Sou testemunha ocular, constatada pela minha juventude em Luanda (Angola), na década de 1960. Ainda não tínhamos televisão. Mas abundavam os cinemas. E que cinemas! Extraordinárias casas de espetáculos e extraordinários filmes. Talvez, poucos tenham assistido hoje aos maiores filmes feitos em Hollywood. Só a título de exemplo, não mais se fazem filmes como: Doutor Jivago; Mahatma Gandhi; E Tudo o Vento Levou! (E o Vento Levou! no Brasil); Música no Coração (A Noviça Rebelde, no Brasil); O Padrinho (O Grande Chefão, no Brasil)… Que nostalgia! Quanta saudade! E na verdade era um autêntico massacre o desfilar de propagandas de cigarros. Era chique, dava status o hábito do “fumar”. E a juventude embarcava na maior…

                Teria cerca de 13 anos quando experimentei dois ou três cigarros num piquenique de estudantes em Salazar (hoje Dalatando), a cerca de 400 Km de Luanda, onde me iniciei nos estudos secundários. Não suportei o odor que ficava na boca após fumar. Nunca mais fumei nem tive tentação para tal. Posso asseverar que fui das poucas exceções. Já tinha uma aversão natural a tal cheiro. Hoje ainda pior. Jamais pensei que a lei antifumo viesse a ter o êxito estrondoso que hoje constatamos para o bem da sociedade. Parabéns aos pioneiros que tiveram a coragem de implantar essas diretrizes. Todos sabem as polémicas que se levantaram inicialmente. Com alguma analogia, talvez haja necessidade num futuro muito próximo de alguns corajosos implantarem o estudo do espiritismo nas escolas e academias escolares. O equilíbrio e bem-estar social não mais se compadece com poluições utópicas no âmbito religioso. Dois mais dois são quatro em matemática decimal. Assim o determina o fundamento filosófico existencialista com base no espiritismo. Acreditamos seja a razão primária para estancar a onda de barbárie que a sociedade hoje vivencia. Se a pessoa souber que pagará inexoravelmente por tudo de errado que fizer neste planeta, ainda que, supostamente às escondidas, nesta ou em outras vidas, temos certeza que se estiver com a intenção de prejudicar alguém, pensará mil vezes para colocar a ideia em prática.

                Parabéns senhor editorialista.

 

Alberto Maçorano
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