Uma boa regra jornalística é desconfiar de tudo o que o governo faz. Qualquer governo. Por isso, a escolha de Raquel Dodge para substituir Rodrigo Janot na Procuradoria da República causa apreensão e desconfiança. Menos por ela, mas por quem a escolheu. Temer quebrou a regra, deixando de nomear o mais votado. Por quê? Evidentemente por esperar um trato menos duro da futura procuradora.

Os políticos tentam convencer que a justiça está se tornando rigorosa demais ao “persegui-los”. Mas, quem diz isto são os corruptos de carteirinha, eternamente no poder. Eles não querem perder o “direito” de assaltar o Estado. O grave é que eles têm força para conter investigações e pressionar juízes.

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, ao criticar Temer por desqualificar o Procurador Geral da República, afirmou que a justiça não está mais severa, apenas se estendendo aos poderosos. Os grandes magnatas da corrupção acostumaram-se com a impunidade; com as várias investigações, especialmente a Lava Jato, foram desmascarados. Por isso reagem com acusações caluniosas e mentiras deslavadas.

Segundo Barroso, a justiça democratizou-se. Agora, diz ele, atinge a todos. Será? Até certo ponto, porque mesmo conseguindo reunir provas irrefutáveis não consegue pôr os corruptos definitivamente atrás das grades nem impedir que eles continuem com um conchavando nos bastidores. Detalhe bem brasileiro: Barroso e sua esposa (com o nome de solteira) são sócios em uma offshore em Key Biscayne (Estados Unidos) com um imóvel avaliado em US$ 3.000.000. Com o nome de casada ela é sócia do marido em outra empresa no Chile. Tudo legal: como se vê, a justiça é para todos…

Júlio Chiavenato
Jornal A Cidade, Ribeirão Preto, 30/06/17 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: sequer existem comentários a tão deprimente realidade política brasileira. E pelos rumos que se vão traçando não vai mudar muito, não. Apenas muita fumaça para tão pouco fogo. Mesmo perante uma realidade constrangedora que se está vivenciando, ainda hoje (30/06) passou no jornal da Globo uma gravação entre policiais e traficantes no Rio, com os policiais incitando os marginais ao roubo de mercadorias e outros, liberados pela polícia para conseguirem as suas propinas em dinheiro. Dá para acreditar? Pois é isso mesmo, uma vergonhosa realidade.

Até quando o Brasil vai aguentar sustentar tanta malandragem?

Alberto Maçorano