Da miséria humana à bandalheira política o menu é farto. Um homem agrediu a grávida e jogou o enteado de 5 anos na parede. Uma mãe matou o filho de 24 anos e o enterrou no quintal, alegando que sofria abuso sexual. Todos carregamos uma herança biológica, o DNA, explica muito, mas ninguém nasce assassino. O homem é o produto dele mesmo e das circunstâncias. É difícil enfrentar as psicopatias que levam ao hediondo sem cair no preconceito que, como a violência que nos atinge, deforma a compreensão da vida social e do comportamento humano.

                Na política a dissipação moral ainda espanta, pensamos que nada mais pode nos surpreender. Dos congressistas que votarão o impedimento de Dilma, 60% são investigados por corrupção, alguns já condenados, como Eduardo Cunha e o senador Eunício de Oliveira, remanescente do mensalão do DEM e dono de contratos sem licitação com a Petrobrás.

                Em Ribeirão Preto, os vereadores põem e tiram da pauta, as contas da alcaidessa Darcy Vera, reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado: só tratarão do caso depois das eleições municipais. É emblemático: os fatos não interessam, mas o seu uso político.

                Todos se dizem inocentes e apresentam razões para os assassinatos e a corrupção. Mas as vítimas estão mortas e o dinheiro público financia os ladrões do povo. Eles têm direito à defesa e a imprensa ouve malandros profissionais como se fossem gente de respeito. Os políticos se “indignam” com as acusações, não com os delitos que praticam. Seus advogados juram a inocência deles. E podem processar quem duvidar dessa “inocência presumível”.

Júlio Chiavenato  
Ribeirão Preto, 15/04/16 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: Meu caro Chiavenato, só você mesmo consegue expor uma radiografia tão fiel do ambiente social em que vivemos. Creio que, inconscientemente, você conseguiu fazer duas afirmações concludentes, tais como: “todos carregam uma herança biológica”, correto, quando se reporta a outras vidas; realmente o nosso DNA carrega todas as características do ser nascente, em função do seu quadro reencarnatório. Por isso, o homem será sempre o produto dele mesmo, mas não obrigatoriamente “das circunstâncias”. Só um espírito “fragilizado” ou ambicioso, poderá sim, deixar-se influenciar pelas circunstâncias. Mas, tudo isso, tem a ver com os processos reencarnatório, mas, pelo que me consta você não é espírita, mas foi feliz nos argumentos apresentados naquelas duas afirmações, que, quase ganhava um bolão…

                Infelizmente, a sociedade insiste em viver um “faz de conta”. Tudo gira em função de utopias, dogmatismos e teorias insustentáveis. Quase ninguém se preocupa em pesquisar e ir fundo nos pressupostos que preocupam a sociedade. Quase ninguém se preocupa em saber o porquê das coisas que acontecem, sim, porque fala-se à boca cheia que nada acontece por acaso, mas, investigar, ninguém vai atrás…  E assim viveremos por muitos e muitos anos em duas sociedades: exploradores (cerca de 10%) e explorados. Ladrões políticos (cerca de 10%) e ladrões de galinhas. 10% da população enganando os 90% restantes. Mas, agora com a previsível saída da Dilma, tudo vai mudar, vai acabar a corrupção e a bandalheira política, os políticos vão baixar os salários para mil reais. Vai acabar o nepotismo. As contas dos descamisados vão ser pagas pelos senadores do STF, sobretudo pelo senhor Gilmar Mendes e pelo senhor Moro. Não mais haverá filas nos postos de saúde. Vai haver acompanhamento de primeiro mundo. O desemprego vai acabar. Todo o mundo será empregado, etc., etc., O Brasil passará de uma república de bananas para um autêntico país de primeiro mundo, podendo ser governado pelo senhor Temer, investigado pela Lava Jato, ou, quem diria, por um ladrão de elite, chamado Eduardo Cunha, que irá distribuir pelos miseráveis a dinheirama que roubou aos cofres públicos. Não acreditam? É só esperar pela vitória do impeachment?

 Alberto Maçorano

 

 

 

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