O Conselho Federal de Psicologia (CFP) divulgou na segunda-feira (05) uma nota criticando a abordagem da novela O Outro Lado do Paraíso, da TV Globo, em relação aos temas temas abuso sexual e saúde mental. “O Conselho Federal de Psicologia entende que a telenovela, por se tratar de uma obra capaz de formar opinião, presta um desserviço à população brasileira ao tratar com simplismo e interesses mercadológicos um tema tão grave como o sofrimento psíquico de personagem cuja origem é o abuso sexual sofrido na infância”, diz a nota publicada no site do órgão.

Na trama, Laura (Bella Piero), uma jovem que sofreu abuso sexual do padrasto, Vinícius (Flávio Tolezani), quando era criança, não consegue se sentir totalmente confortável com o marido por ter ficado traumatizada. Na semana passada, a protagonista Clara (Bianca Bin) conversou com a garota e sugeriu que ela procurasse a advogada Adriana (Julia Dalavia), que consegue acessar as memórias reprimidas de uma pessoa usando técnicas de coaching e hipnose.

“São as novelas da Rede Globo que, como estratégia de elevar a audiência, frequentemente buscam embaralhar as barreiras do ficcional e do real”, continua a nota da CFP. “É consenso no Brasil de que pessoas com sofrimento mental, emocional e existencial intensodevem procurar atendimento psicológico com profissionais da Psicologia, pois são os que tem a habilitação adequada.”

“Saudamos como positiva a manifestação de diversos grupos e escolas de coaching, que, manifestando-se sobre o ocorrido, afirmaram compreender que os transtornos mentais devem ser cuidados por profissionais da saúde mental”, continua o texto. “O CFP faz um alerta à sociedade para que não se deixe iludir. As pessoas devem buscar terapias adequadas conduzidas por profissionais habilitados para os cuidados com a saúde, particularmente a saúde mental.”

Procurada por VEJA, a assessoria de imprensa da Globo não se manifestou sobre o assunto até a publicação desta nota.

Nosso comentário: concordamos em parte com a “censura” pelo Conselho Federal de Psicologia. Realmente são situações muito sérias para serem tratadas superficialmente ou com leviandade. Por outro lado, em pleno século XXI, considerar o problema mental como doença, deixa muito a desejar… Então, Deus não é justo, como todos apregoam… Por quê uns são normais e outros “retardados”? Será que Deus não é justo? 

Deus é justo, sim. Mas o problema mental ou qualquer outra “deficiência” física jamais poderão ser consideradas “doença”, mas, tão somente, condições físicas “bloqueadas”, para que o espírito em outro corpo “pague” as “dívidas”, isto é, sofra aquilo que fez sofrer outros em outras vidas. Quando o espiritismo já completou 160 anos de existência. Quando já se desenvolveram tantos trabalhos científicos sobre o espiritismo e a doutrina espírita, é lamentável que parte da ciência ainda não acredite no óbvio e ainda se acredite que morreu, acabou… 

Considerar o problema mental como doença, não deixa de refletir muita ignorância…

Alberto Maçorano