A maioria do eleitorado está nas classes C e D. O eleitor escolarizado, que o preconceito contra os excluídos diz ser mais “esclarecido”, é da classe B, que ecoa as ideias da A, que por sua vez é porta-voz de 1% dos milionários, donos de 10% da riqueza nacional.

                Sem ideologia os partidos procuram alianças para conquistar o poder; os votos se dispersam e as “classes baixas” elegem de populistas a reacionários e corruptos. Apenas as classes A e B votam “como classe”; mais orientadas pela discriminação social do que pelas suas reais necessidades.

                Na alienação política e desigualdade social tem o mesmo peso o PT e o PSDB, que disputam a “flexibilidade” do PMDB e seus agregados; não por acaso, a eleição passada terminou quase empatada. Ricos e pobres votaram em Aécio e Dilma. Nessa confusão partidária escolher os deputados é ainda mais difuso. O resultado viu-se no domingo, na votação do impeachment.

                A classe média teve um choque ao ver que a Câmara é de um nível tão baixo. Mas não se avexa de servir-se de corruptos como Cunha e Calheiros. Nem se incomoda com Temer na presidência.

                Tradução: o que espanta a classe média “esclarecida” não é o baixo nível dos deputados, mas a aparência grosseira deles. Todos foram iguais na patetice. Uns mais, outros menos. Alguns insanos, como Bolsonaro, enaltecendo a tortura.

                Para a classe média “esclarecida” um mulato, enrolado em pano verde e amarelo e votando em nome dos filhos, causa repúdio. Um branco “de boa família”, fazendo o mesmo (como Baleia Rossi e Duarte Nogueira) é “normal”. Eis a “consciência de classe” brasileira.

Júlio Chiavenato 
Ribeirão Preto, 20/04/16 
chiavenato@jornalacidade.com.br

 Nosso comentário: meu caro Chiavenato, tenho que tirar o chapéu para uma desenvoltura intelectual tão perspicaz e rica, além de uma capacidade de síntese invulgar. Realmente você e o seu colega Vicente Gol feto são jornalistas de uma rara capacidade intelectual, ética e profissional que grandes jornais se sentiriam honrados com o vosso desempenho. Tenho certeza absoluta que se todos os jornalistas deste país pautassem os seus desempenhos profissionais idênticos aos vossos, este país não estaria passando a vergonha que está passando, nem estaria na crise que está atravessando. Pois, na minha modesta opinião a crise política causada pela oposição ao governo Dilma, não fazendo nem nada deixando fazer, comandada pelo maestro ocioso intitulado Aécio Neves, foi acintosamente acirrada e direcionada pela maioria da mídia jornalística e televisiva deste país. É um atentado, uma portentosa afronta à pobreza e miséria deste país, quando esses senhores recebem mensalmente chorudos salários e benesses de tudo quanto é lado, e ao seu lado existe uma percentagem significativa da população brasileira esmolando uma côdea de pão para sobreviver. Apenas chocante, para não proferir nenhum impropério. Assim como os vereadores também não ficam de lado. Irei entrar em contato com essas redes “Avaaz e Change”, para desenvolvermos um abaixo assinado para que todos os políticos tenham um teto salarial de 5,000,00 reais, sem quaisquer outros proventos ou regalias, seja a que título for, e o salário mínimo acima de 2,000,00 reais. O maior salário será sempre o do presidente com 10,000,00 reais e regalias inerentes ao seu mandato. O presidente deve ser respeitado e não desmoralizado por qualquer um, sobretudo por um ladrão de carteirinha como um tal Eduardo Cunha. Gostaria de saber se, perante esse quadro, haveria tantos concorrentes se digladiando por um lugar ao sol da roubalheira… Parabéns, mais uma vez, senhor Júlio Chiavenato. Esta é realmente a verdadeira consciência política brasileira…

Alberto Maçorano

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