Na adolescência – quando eu não havia começado a trabalhar e somente estudava – dedicava a maior parte do meu tempo à leitura. Meu pai apoiava a opção que fiz porque – na verdade – eu havia acatado a sugestão dele.Só depois – graduado – eu deveria dividir o meu tempo, dedicando-o mais para a atividade profissional. O Aleph é a primeira letra de muitos alfabetos. Meu começo – uma espécie de Aleph – deve ter sido igual ao de muita gente.Agora, quando desacelero em termos de atividade profissional – ainda que não tenha parado definitivamente – percebo que, de novo, começo a dedicar mais tempo para a leitura. “Ler é mais importante do que estudar”, dizia o Ziraldo. Eu parto para esta opção, transferindo parte do que – antes – era tempo do trabalho.

                Foi agindo assim que me lembrei de obras que li durante o ano de 2014. Delas selecionei a frase – de Adélia Prado – que mais me tocou. Não foi a mais profunda. Nem a mais bonita. Foi aquela que penetrou no âmago da minha mente, tocando os sentimentos. A poeta mineira disse: “Como eu gostaria de recomeçar tudo. Só que mais generosamente”.

                Quantos – como Adélia, cristã de verdade – não desejam, caso fosse possível, volver a empezar, como dizia meu avô, espanhol. Volver a empezar é recomeçar, traduzindo. Na verdade, eu não gostaria de recomeçar. Eu gostaria de começar, quase numa repetição do que foi vivido. A poeta adicionou a generosidade, uma das modalidades de misericórdia que mais se aproxima da caridade. Sei que não é possível. Mas louvo os espíritas – nossos irmãos – que acreditam numa outra vida. Eu, lamento, porque tenho certeza de que vida não tem bis. É uma só.

Vicente Golfeto 
Ribeirão Preto, 21/07/16 
golfeto@jornalacidade.com.br

 

Nosso comentário:  prezado Vicente Golfeto, de uma maneira geral aprecio muito a sua coluna, mas a sua afirmativa da última frase desta coluna, dizendo que: “tenho certeza de que a vida não tem bis”, foi muito infeliz e sem humildade. Até o grande filósofo Sócrates dizia que a única coisa de que tinha a certeza é “que nada sabia”. Vou abster-me de mais comentários, subscrevendo um texto que retirei da internet sobre a comprovação científica de uma reencarnação: 

“Esta história, recheada de ricos detalhes, encontra-se relatada no livro “Soul Survivor: The Reincarnation of a World War II Fighter Pilot“, algo como A alma sobrevivente:

A reencarnação de um piloto de combate da II Guerra Mundial“, que foi traduzida para o português, no Brasil, com o título “A Volta“, da editora Best Seller. Este caso foi amplamente debatido na TV ABC nos EUA. Este e milhares de outros casos, estudados nestes últimos 60 anos, vêm de encontro à crença na reencarnação da grande maioria da população do planeta Terra, crença baseada em fatos, de tal ordem insofismáveis, que levaram o notável cientista, recentemente falecido, o médico psiquiatra americano, Ian Stevenson afirmar numa entrevista à Notícias Magazine, em Portugal: Hoje em dia, qualquer pessoa pode acreditar na reencarnação, com base em provas. 

No dia em que a humanidade tiver consciência da realidade da reencarnação operar-se-á na Terra uma revolução superior à revolução industrial, vaticinou o eminente cientista, vindo assim de encontro aos postulados da Doutrina Espírita (ou Espiritismo). 

Nessa altura deixará de fazer sentido o racismo, a xenofobia, a diferença de classes ou de género, já que o ser humano entenderá que o Espírito nasce no corpo, no país, na condição social, na polaridade sexual que lhe é mais útil para a sua evolução espiritual”.

“Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a lei”. (Allan Kardec)”

 

Alberto Maçorano