A Polícia Federal e o GAECO vieram com tudo.

Nenhuma surpresa, o esperado simplesmente aconteceu. A qualquer momento as irregularidades repetidamente denunciadas em Ribeirão seriam investigadas.

                Há muito tempo anuncio a tempestade. Por exemplo, em 24/02/16, escrevi que Dárcy Vera enterrou a cidade “em um mar de incompetência e má gestão do dinheiro público”. Desde 2012 alerto que “a administração Dárcy Vera dava a impressão (…) de raspar o tacho, aproveitando os últimos momentos”. Inúmeras vezes denunciei “o empreguismo, o nepotismo, os negócios mal explicados com autarquias e empresas (Daerp, Coderp) (…) as tentativas de mudar a lei para maquiar erros ou acomodar amigos”.

                Finalmente, a paralisação administrativa, problemas na Saúde, Educação, buracos nas ruas, aumento abusivo do IPTU, o transporte coletivo e a incompreensão sobre o que é ou deve ser um governo. Em 27/11/2013, antecipei sobre o “clima de fim de festa que ameaça rifar o património público, com a venda anunciada dos terrenos municipais”.

                A primeira denúncia de grave corrupção no Daerp partiu desta coluna, sobre o transporte das bombas de água que iam de Ribeirão Preto a Porto Alegre, para reformas superfaturadas com notas frias e fretes pagos pelo município. Deu em nada.

                A maioria dos vereadores foram cúmplices e usufrutuários dessas anomalias e nunca exerceram o dever de fiscalização, o que teria evitado na origem o furto do dinheiro público. Agora é com a Operação Sevandija, que pode extirpar os vermes, mas que pouco consolo dará a uma cidade ultrajada, que perdeu milhões de reais.

Júlio Chiavenato 
Ribeirão Preto, 02/09/16 
chiavenato@jornalacidade.com.br

Nosso comentário: pois é, caro Chiavenato. Como é possível que, mesmo com a operação Lava Jato em vigor, não consiga atemorizar manchas de corrupção vigentes por todo o país. Todavia, apesar de penetrar fundo no mundo subterrâneo da podridão política, a parcialidade jurídica prepondera e só focaliza um determinado quadrante político, deixando os demais completamente soltos e à vontade. Assim, senhor Sérgio Moro, a sua auréola momentânea que poderia ficar para sempre nos anais históricos, irá esvair-se nos meandros da vaidade, porque o senhor não está usando a sua toga com o devido respeito que a respectiva responsabilidade impõe, e assim a Lava Jato que parecia, a princípio, exterminar e passar a limpo a podridão e a corrupção deste país, começou a derrapar pela adrenalina da vaidade e começou a focar apenas as gentes do PT, Lula e Dilma, sabendo todos nós que, infelizmente esse vírus está inoculado na maioria dos políticos brasileiros.

É pena, senhor Chiavenato, que só o senhor, eu, e poucas individualidades de grande impacto na imprensa brasileira, tenham coragem de mensurar a realidade tal e qual ela é, dando abertura a células enfermas que têm a coragem de florescer no campo aberto da democracia, sem a mínima preocupação de serem pegos pelas malhas ainda puras daqueles que ainda não se deixaram contaminar pelo vírus da corrupção. Bem hajam e bem haja senhor Chiavenato por pertencer também a essa intocável tropa de choque.

 Alberto Maçorano