A cadeia maldita do narcotráfico tem como subproduto imediato a fidelização dos dependentes químicos. Este já é o terceiro maior fator que provoca afastamento do trabalho e dá grandes prejuízos funcionais às empresas e também ao INSS, que arca com o auxílio-doença sem contrapartida da produtividade.

              Por sua vez, quem se torna dependente das drogas também é prejudicado, já que o salário auxílio é feito através de média, o que achata os vencimentos do cidadão doente.

                Ontem comentamos sobre o cerco dos traficantes do Rio de Janeiro, em que já é quase uma situação de calamidade pública e também em Ribeirão Preto, com a retaliação de grupos que entregam facções do crime organizado. Tudo isto nada mais é do que a disputa pelo poder de comercializar entorpecentes e armas. Precisamos mais do que nunca, de um trabalho conjunto de toda a sociedade civil, para que esta distorção não se torne definitivamente uma aberração social.

                Prevenção, repetimos, é o nome da solução. Só uma sociedade alerta, em pleno estado de direito, pode responder à sangria destes grupos organizados. Temos que ser muito mais organizados do que eles e estender redes de proteção aos que estão em vulnerabilidade. Só assim poderemos inibir a expansão de traficantes que encontram brechas na fraqueza do Estado.

                Se tivermos opções a dar, teremos poder de fogo para reconquistar crianças e jovens cooptados muito cedo. Portanto, mãos à obra. Este trabalho não é só ter responsabilidade da união, que deve atuar em sentido “macro”. É nossa responsabilidade. E isto vale para todos os gestores municipais.

Editorial do jornal A Cidade
Ribeirão Preto, 24/09/17

Nosso comentário: o comentário que vou transcrever foi retirado da matéria sobre os últimos acontecimentos da favela Rocinha do Rio de Janeiro. Este editorial tem como fulcro a mesma essência. É comum ouvir falar, de vez em quando, que o Brasil é um país abençoado por Deus, por não estar envolvido em conflitos militares com outros países. Gostaria que alguém me dissesse com real dureza o que significa uma intervenção militar numa favela. Já alguém se deu ao trabalho de contabilizar o número de mortos no Brasil por conta dos conflitos bélicos entre forças militares ou paramilitares com os ditos “marginais”. Os mortos no Brasil nestes conflitos superam em muito, grandes conflitos bélicos tanto na Europa como no Oriente, neste últimos anos. Querem maior conflito bélico do que este que ameaça a estabilidade social deste país? É pior do que uma guerra declarada entre países. Isto representa uma guerrilha entre brasileiros no próprio país. Haverá pior do que isso? 

Por outro lado, há um grande equívoco ao se falar aleatoriamente e levianamente que “Deus é brasileiro”, etc., e tal. Deus jamais abençoará alguém isoladamente ou a nível de país, se não houver um forte motivo moral para isso. Não existe ninguém privilegiado. Todos obedecem à lei de ação e reação ou de causa e efeito. Então quem fizer o mal, que é o caso dos “marginais” e das forças militares ou policiais do Brasil, jamais poderá ser abençoado. 

Já o disse várias vezes e não me cansarei de repeti-lo que o Brasil não resolverá jamais o problema da insegurança e da “marginalidade” através da violência pela violência, que é o que está acontecendo e o que este editorial sugere. Desde que nos conhecemos como “civilizados” que existe esta célebre frase, mais atual do que nunca: “violência gera violência”.

Sem pretender de forma alguma eliminar totalmente as forças de segurança de uma hora para a outra, mas este gravíssimo problema social brasileiro tem que ser encarado justamente nas suas causas e origens. É imprescindível o retorno de matéria ética, moral, religiosa e filosófica existencial aos bancos escolares como currículo escolar, mesmo que o Brasil não adote hipocritamente a nível governamental nenhuma religião, pois embora se intitule como laico, dá-se ao “luxo” de escalar feriados religiosos de origem católica. Alguém consegue entender tamanha hipocrisia? Já que ninguém esclarecido tem a coragem suficiente para adotar a filosofia existencialista da doutrina espírita como a única que nos concede a realidade do existencialismo do homem. É isso que precisa ser divulgado e não permitir que uma sociedade na sua maioria viva na mentira, na ilusão e na hipocrisia. 

Enquanto não se anularem os disparates de uma irritante desigualdade social, com a maioria do povo tendo que sobreviver entre mil e dois mil reais por mês, quando muitos sequer isso recebem, sem falar no percentual de desempregados da atualidade, e as elites viverem como príncipes, em palácios e palacetes, esbanjando dinheiro por tudo quanto é lado e agora com políticos e governantes ladrões e corruptos, alguém de bom senso acha que não é legítima a “marginalidade” no Brasil? Como poderão ser chamados os “coronéis” políticos e governamentais? Não serão bem pior que os ditos “marginais”? Alguém de bom senso acha que através de meios bélicos e repressivos poderá algum dia acabar com o caos social em que mergulha a sociedade brasileira? 

Vamos parar por aqui porque os motivos e motivações da desordem social institucionalizada não ficam por aí e jamais acabarão enquanto a presunçosa elite não for rebaixada a níveis salariais decentes e não ofensivos aos verdadeiros trabalhadores deste país, extinguindo-lhes todas as mordomias em que vive a elite dos marginais abastados…

Por isso, me parece que neste momento dramático do Brasil em que não se vislumbra nada ou quase nada de positivo para que se chegue a um ponto de equilíbrio social decente, não vislumbramos outra hipótese senão uma intervenção militar para apear toda essa corja de marginais e corruptos e se estabeleça uma junta de “salvação nacional” para repor o país nos eixos através de eleições antecipadas e de gente que não tenha qualquer menção ou simples suspeita de corrupção e acabar com todas as mordomias das elites políticas e governamentais. Enquanto isso não acontecer jamais o Brasil sairá do atoleiro em que se encontra, piorando a cada dia e caminhando para o abismo sem qualquer esperança no amanhã. Só um levantamento militar poderá tomar conta do Brasil neste momento.

Por isso, senhores editorialistas, este assunto é muito mais profundo do que se possa pensar ou imaginar, e não é com paliativos ou pseudo-seguranças indiscriminadas que se tentará solucionar o drama social brasileiro.

 

Alberto Maçorano